Primavera digital
Na música Perfeição, a banda Legião Urbana canta: “Vamos celebrar a estupidez humana/A estupidez de todas as nações”, denunciando a desigualdade social, a falta de oportunidades para os jovens sem acesso à educação, o mau uso do voto, a exploração da classe operária. Na análise de Rebeca Fuks, doutora em Cultura, Perfeição faz “uma crítica à sociedade brasileira em concreto e às imperfeições do ser humano em geral”.
Mas, observa Rebeca, “é importante referir que a música termina com uma nota positiva, encorajando o ouvinte a lutar contra todas as imperfeições que são mencionadas na letra. (…) Existe um sentimento de esperança.”
A primavera chegou e no dia 2 de outubro teremos um marco com a eleição do presidente da esperança e de deputados federais e senadores que darão suporte para voltarmos a desenvolver o Brasil com redução da desigualdade social. Para elegermos governadores e deputados estaduais que estão no campo democrático e não em acordos com milicianos.
No setor das telecomunicações também estamos otimistas. A Coalizão Direitos na Rede e o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação entregaram, na semana passada, aos responsáveis pelo programa de governo do candidato da primavera, Lula, as propostas relativas ao setor.
O Instituto Telecom participou da elaboração de algumas dessas propostas e destacamos seis recomendações:
1) Colocar a banda larga em regime público, pois já está provado que a única forma de universalizarmos um serviço essencial é colocando em regime público e com metas de universalização: internet para todos, de qualidade, com preços acessíveis ou gratuita para as parcelas mais excluídas da sociedade.
2) Convocar o Fórum Brasil Conectado, criado no governo anterior de Lula. O Fórum era composto por 56 organizações e instituições públicas e privadas representando as três esferas da União, empresários, Academia e cidadãos. Essa, nos parece, a forma mais democrática para alcançarmos uma política pública sólida que responda à oferta e à demanda das telecomunicações, principalmente da banda larga.
3) O Ministério das Comunicações é inegociável. Não podemos cometer o erro passado de deixar nas mãos de personagens que estão comprometidos apenas com o mercado esse Ministério estratégico. Lembremos que a inclusão social passa pela inclusão digital. Os representantes do mercado já demonstraram sua incapacidade de, sozinhos, realizarem essa tarefa.
4) Banda larga nas escolas. Fazer com que a Oi, Vivo e Claro cumpram com a obrigação de colocar em todas as escolas urbanas banda larga gratuita e de qualidade. O que já deveria estar acontecendo desde 2010.
5) Tornar o 5G uma oportunidade para investir em pesquisa e desenvolvimento, de maneira a participarmos de forma soberana na cadeia produtiva de valor resultante da implantação do 5G. A área dos semicondutores é uma delas.
6) Convocar e mobilizar para a realização da 2ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom).
Mesmo com a vitória na eleição do dia 2 de outubro teremos grandes batalhas para reconstruir o nosso país, inclusive no setor das telecomunicações. Mas a vitória da esperança trará a oportunidade de uma nova primavera para todos nós. O perfume das flores vai substituir a catinga do ódio.
Instituto Telecom, Terça-feira, 27 de setembro de 2022




