Maranhão e Pará se preparam para chegada de novos cabos submarinos
O Pará e o Maranhão estão avançando preparativos para a chegada de dois novos cabos submarinos que devem aprimorar a conectividade nos estados e na região da Amazônia Legal, a partir de uma interligação com sistema internacional de cabos que conecta Europa e Brasil. O tema foi debatido no evento Amazon On, realizado na semana passada, em Manaus.
Os projetos terão financiamento liderado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e ainda dependem de algumas autorizações legais para a assinatura dos contratos (algo esperado para 2026 nos dois casos). As iniciativas envolvem a construção de dois novos ramais ópticos ligando a costa Atlântico dos estados ao cabo EllaLink.
No Maranhão, a interligação com o sistema faz parte de projeto com valor total de US$ 180 milhões, que deve envolver cofinanciamento governamental francês e contrapartida local, além do apoio do BID. A rota completa terá entre 350 km e 400 km, em projeto que ainda deve incluir um data center.
Leandro Costa, presidente da Agência Estadual de Tecnologia da Informação do Maranhão (ATI/MA), lembrou que o estado adquiriu com recursos próprios o direito a uma ramificação ao EllaLink. Com as próximas fases, a ligação terá ponto de ancoragem na região da Ilha de São Luís, que abriga a capital do estado, e ponto final na cidade de Bacabeira.
Algo que deve beneficiar o empreendimento é a existência da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Bacabeira, em regime que pode garantir benefícios para o projeto. No futuro, a intenção é possibilitar a consolidação do local como um hub tecnológico do Maranhão, afirma Costa.
O financiamento do BID e da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) ainda depende de aval de autoridades para ser contraído, inclusive da União, como é praxe em operações do gênero. Uma modernização na gestão da ATI/MA também é esperada, com evolução do modelo de autarquia para o de empresa pública.
Pará
Já a iniciativa paraense foi abordada por TELETIME em 2024: o projeto com financiamento total de US$ 144 milhões inclui ramal de 425 km entre o estado e trecho do cabo EllaLink que chegará à Guiana Francesa. Além do BID, o plano envolverá cofinanciamento pela AFD e contrapartida local.
O ponto de ancoragem do cabo será na cidade de Salinópolis, no nordeste do estado, com ligação por terra até Belém. O cabo poderá ser interligado à infraestrutura do sistema federal de cabos Norte Conectado, além da rede de fibra que já é utilizada pelo governo local.
O financiamento também precisa de autorização da assembleia legislativa (através de lei autorizativa) e federal. A expectativa é que a assinatura ocorra no ano que vem, com prazo de cinco anos para execução do projeto e entregas a partir de 12 meses.
Para Tiago Cardoso, gerente de projetos especiais da Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Pará (Prodepa), uma das apostas é que cabo possa mudar cenário de baixa qualidade na conectividade ofertada no estado e altos preços, classificados como os maiores do País.
Além da infraestrutura, o projeto também segue diretrizes da conectividade significativa, incluindo iniciativas de letramento digital para comunidades locais, apontou Cardoso.
Lacuna
A Amazônia Legal precisa de aproximadamente US$ 3 bilhões (R$ 18 bilhões) em investimentos para fechar a lacuna de conectividade existente nos seus nove estados. É o que indicou Luis Guillermo Alarcón Lopez, especialista em telecomunicações do BID, durante o evento Amazon On, realizado na última semana em Manaus.
O banco aponta que hoje existam 2,7 milhões de pessoas na região vivendo em áreas descobertas, e que 83% do montante de investimentos necessários (cerca de R$ 15 bilhões) deve exigir subsídios públicos. De uma forma geral, Pará, Amazonas e Maranhão são os estados da Amazônia Legal que mais demandariam investimentos, na ordem.
Henrique Julião, Teletime, 25 de agosto de 2025




