Telefónica pode vender operações latino-americanas para fazer novas aquisições, diz Reuters
A Telefónica tem planos para aquisições de negócios na Europa e no Brasil e pretende obter recursos vendendo ativos latino-americanos em países de língua espanhola. A informação é da agência Reuters, que aponta que o grupo está de olho em ativos na Alemanha, Reino Unido, Espanha e Brasil.
À agência, Marc Murtra, CEO da Telefónica, disse que o foco não vai ser necessariamente em telecomunicações, já que o setor é muito regulado para evitar monopólios. Como comparação, em 2024, havia 41 empresas na Europa que ofereciam serviços móveis para mais de 500 mil clientes cada, enquanto são apenas cinco nos Estados Unidos e quatro na China e no Japão.
O CEO diz que o mercado está mudando com o desenvolvimento de novas tecnologias, como a inteligência artificial (IA), e a Europa precisa acompanhar esse processo para não perder mercado. Para ele, os grupos europeus de telecom devem ter permissão para se expandir e, em troca, investir em outros setores relacionados, como segurança cibernética e infraestrutura, incluindo data centers, como um “contrato social” entre autoridades e empresas.
Qual o plano de aquisições da Telefónica?
Para dar à Telefónica margem financeira para realizar mais negócios, a empresa concordou em vender suas unidades na Argentina e no Uruguai e está trabalhando com consultores sobre potenciais vendas no Chile, México e Equador, de acordo com três fontes com conhecimento das negociações. A Telefónica não quis comentar sobre o assunto com a Reuters.
As vendas podem liberar até 3,6 bilhões de euros (US$ 4,21 bilhões) que poderiam ser usados para fusões e aquisições, de acordo com analistas da Kepler. Alvos potenciais para a Telefónica podem incluir a Vodafone Espanha, uma joint venture ou a aquisição da 1&1 na Alemanha, ativos no Brasil, ou mesmo uma participação de 50% na Virgin Media O2 detida pela sua parceira Liberty, de acordo com negociadores familiarizados com as intenções da Telefónica e relatórios de analistas.
Nenhuma das empresas citadas quis confirmar as informações.
João Monteiro, IP News, 8 de setembro de 2025




