Operadoras e fornecedores defendem mudança de modelo na internet

out 27, 2010 by

A cobrança diferenciada por volume de tráfego e qualidade de serviço é uma das alternativas.A continuar o modelo atual, onde todos os usuários pagam a mesma coisa, com uma pequena parte sendo responsável pela maior parte do tráfego sem pagar mais por isso, pode vir a acontecer um estrangulamento na rede por falta de investimento. Esse cenário foi o pano de fundo do painel sobre banda larga realizado hoje no final da manhã no Futurecom 2010, que se realiza em São Paulo.

 

Tanto fornecedores como operadoras defenderam a necessidade de uma mudança no modelo. Antonio Carlos Valente apresentou exemplos mundiais, como os problemas de congestionamento nas redes de dados enfrentados na Inglaterra, para defender a necessidade de um novo modelo de tarifação, sem apontar, no entanto, para onde ele deve caminhar. Já Joinel Foigel, presidente da Alcatel Lucent, e Aloysio Byrro, presidente da Nokia Siemens, consideram fundamental que a cobrança passe a ser feita levando em conta as necessidades do usuário e a qualidade de serviço que lhe será garantida. Byrro defendeu a cobrança diferenciada, mas insistiu em que o modelo tem de garantir qualidade de serviço mínima para todos os usuários. Para isso, lembrou o deputado federal Paulo Henrique Lustosa (PMDB/CE), é preciso que as operadoras coloquem mais inteligência das redes para poderem conhecer o perfil do usuário e saber exatamente o que lhe oferecer pelo preço justo.

 

De acordo com dados mundiais apresentados por Eduardo Ricotta, representante da Ericsson, a cobrança de tarifa flat na rede de dados tem levado distorções onde 70% dos usuários pagam mais do que o volume de dados que consomem, enquanto 30% pagam muito menos. Em sua opinião, a cobrança diferenciada por qualidade de serviço, num primeiro momento, e a conxeão de todos os dispositivos da residência, num segundo momento, serão passos suficientes para gerar valor para as operadoras e garantir os investimentos.

 

A metralhadora da GVT

 

Se no longo prazo houve consenso da necessidade de se buscar um novo modelo, no curto prazo as prioridades são outras. Amos Genish, presidente da GVT, criticou os elevados preços cobrados pelos fornecedores de equipamentos e de conteúdo, atacou a alta carga tributária e disse que o preço da banda larga é caro no país. A ele fez coro Luca Luciani, presidente da TIM Brasil, para quem não faz sentido que a banda larga seja mais barata no bairro paulistano do Morumbi, um bairro classe A, e custe um pouquinho mais na parte mais central da cidade e tenha preço muito maior no interior da Bahia, inversamente ao custo de uma garrafa de água mineral, por exemplo. Luciani acha que o setor precisa refletir sobre essa realidade pois tem que aprender a oferecer serviços mais baratos, com margens menores de lucratividade.

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