Nossa Opinião: Barbárie ou Civilização
O ano de 2026 será decisivo para o Brasil. As eleições para presidente, governadores e parlamentares vão muito além da escolha de nomes para o Executivo. O futuro da democracia depende também da composição do Congresso e das Assembleias Legislativas.
Não basta vencer a Presidência. A governabilidade democrática exige maioria parlamentar comprometida com direitos, instituições e políticas públicas voltadas ao interesse coletivo. Por isso, é fundamental observar como votaram os atuais parlamentares e quais compromissos assumem os candidatos.
Como destacou o professor Renato Lessa, da PUC-RJ, a eleição de 2026 pode representar o aprofundamento do processo democrático brasileiro.
Democracia é construção permanente. O voto universal , plenamente garantido apenas com a Constituição de 1988 , é conquista histórica. Mas não suficiente. É preciso assegurar participação política, igualdade, respeito às minorias, às mulheres e aos povos originários, liberdade religiosa, combate ao racismo e defesa incondicional da vida e da dignidade humana. A rejeição da violência deve ser valor coletivo.
Esse debate, porém, ultrapassa o campo institucional. As transformações tecnológicas, especialmente na área da inteligência artificial, influenciam diretamente o ambiente democrático. A jornalista Karen Hao alerta para os riscos de uma indústria orientada exclusivamente pelo lucro, capaz de aprofundar desigualdades e concentrar poder nas mãos de poucas corporações globais.
A disputa eleitoral também ocorrerá nos algoritmos e nas plataformas digitais. Defender eleições livres implica discutir soberania tecnológica. O Brasil não pode aceitar que decisões opacas de grandes empresas determinem seus rumos políticos, sociais e culturais.
A escolha está posta: aprofundar o projeto civilizatório ou normalizar a barbárie, agora também mediada pela tecnologia.
Instituto Telecom, Terça-feira, 3 de março de 2026, Nº 689
Marcello Miranda, especialista em Telecom




