5G carece de aplicações que justifiquem migração, diz Petrobras
Grande usuária de serviços de telecomunicações, a Petrobras ainda não sente a necessidade de migrar do 4G para o 5G em diversas operações onshore e offshore, ainda que já tenha testado a tecnologia de quinta geração móvel. A avaliação é de que faltam aplicações que justifiquem a troca tecnológica, incluindo em redes privativas.
A observação foi feita por Maximilliam Nunes Starling Vieira, consultor sênior de conectividade da Petrobras, nesta segunda-feira, 13, durante o Fórum de Operadoras Inovadoras 2026, realizado por TELETIME e Mobile Time, em São Paulo.
De acordo com Vieira, a petroleira, em geral, tem demandas de conectividade à frente do que o mercado tem a oferecer. A empresa tem interesse em avançar em casos de uso relacionados a operações de missão crítica, latência ultrabaixa e automação, mas enfrenta a barreira da customização desses serviços para as suas atividades.
“Quando nos perguntam quando vamos para o 5G, o que fazemos é perguntar de volta qual é a aplicação que justifica o seu uso”, disse Viera, acrescentando que a petroleira fez uma parceira para experimentar o 5G industrial com um grupo de organizações, incluindo Nokia e Vivo.
“A nossa conclusão é que, para a maioria absoluta das aplicações que temos, conseguimos suportar com 4G. A diferença do 5G é o volume, a carga e a latência”, pontuou.
O consultor da Petrobras reconheceu que, no que diz respeito às operações de campo, o 5G pode contribuir em tarefas com óculos de realidade aumentada, o uso de tablets para processamento de negócios, equipamentos wearables e robótica. Contudo, em geral, a tecnologia de quarta geração tem sido o suficiente para suprir as necessidades da companhia.
Suporte do mercado
No mesmo painel, Taize Wessner, presidente da Virtueyes, especializada em Internet das Coisas (IoT) e soluções máquina a máquina (M2M), comentou que a empresa tem procurado entender a aplicação do cliente e suas demandas de conectividade.
A partir disso, avalia se a operação pode se beneficiar ao fazer uso do 5G. “É mais sobre a aplicação do que a tecnologia móvel em si”, destacou.
Marcio Roberto dos Santos, gerente de Consultoria de Conectividade da Siemens, por sua vez, salientou que o 5G se notabiliza quando uma operação depende de taxas baixas de latência. Contudo, afirmou que não se pode ignorar as tecnologias usadas dentro das indústrias, que nem sempre serão as mais apropriadas para a quinta geração móvel.
“Olhamos para as necessidades dos nossos clientes e procuramos adaptar as soluções de conectividade ao ciclo de vida da planta. Muitas vezes, tem que ter um investimento pesado, até para modernizar as instalações, e uma parte dos empresários não quer ser early adopter”, disse o gerente da Siemens.
Eduardo Vasconcelos,Teletime, 13 de abril de 2026




