Nossa Opinião: Não é sobre máquinas, é sobre formar humanos

abr 28, 2026 by

Nossa Opinião: Não é sobre máquinas, é sobre formar humanos

Ana Maria Diniz, professora, empresária, conselheira do Todos pela Educação e Parceiros da Educação, é fundadora do Instituto Península, que atua na
formação de professores. Recentemente, ao participar da 40a edição do SXSW, um dos maiores festivais de inovação do mundo, ela resumiu o evento assim:
“foi muito mais sobre pessoas do que máquinas”.

“O deslumbramento tecnológico de sempre foi substituído por uma reflexão profunda e mais do que necessária no contexto atual: como preservar a dimensão humana em um mundo cada vez mais mediado por sistemas inteligentes?”, disse ela.

Ana destacou a participação da pesquisadora egípcia Rana El Kaliouby, que com o seu keynote “Why the Future of AI Must Be Human Centric”, foi uma das vozes mais contundentes neste sentido.
Especialista em computação afetiva, Rana defendeu que a IA não deve existir para substituir o ser humano, “mas para ampliar seu potencial.”

“O fato, prossegue, é que a inteligência artificial já está presente no cotidiano dos estudantes. Ela organiza textos, resolve exercícios, resume livros e sugere respostas.”

Por um lado, é capaz até de ampliar a capacidade cognitiva e facilitar
processos. “O que ela não faz é regular a ansiedade, dar confiança e aumentar a autoestima dos alunos em relação à sua capacidade de aprender e de se superar diante dos desafios da jornada escolar.”

É aí que mora o perigo. “A maioria das escolas brasileiras, principalmente as do sistema público, ainda estão muito atrasadas, e até as consideradas melhores escolas ainda operam sob uma lógica
conteudista, valorizando quantidade e priorizando volume em vez de qualidade: aulas demais, matérias demais, provas demais.”

Para Ana, “inserir IA nesse ambiente já tão
sobrecarregado sem rever a base emocional dos estudantes é adicionar mais combustível a um carro superaquecido: só agrava o problema e pode até fundir o motor ⁷no pior dos casos, sem agregar nenhum benefício real.”

A professora defende que “a revolução que precisa acontecer nas escolas não é tecnológica, é intelectual e emocional. É isso o que vai decidir se a IA será uma aliada ou uma ameaça civilizacional.”

E conclui: “Que não percamos essa chance, pois o humano, com toda sua fragilidade, sensibilidade e força de conexão, precisa ser o protagonista de nossa existência humana e de
nosso futuro coletivo.”

Essa visão converge com o que defendem organizações como a Coalizão Direitos na Rede e o Instituto Telecom: a inteligência artificial só fará sentido se estiver a serviço das pessoas e dos direitos humanos. Até agora, tem sido mais um instrumento de concentração de riqueza e de ampliação das desigualdades.

Instituto Telecom, Terça-feira, 28 de abril de 2026
Marcello Miranda, especialista em Telecom – Nº697

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