Universalização: Desconto às teles no ônus da concessão ainda sem aval do Tesouro

dez 8, 2010 by

Apesar de contar com incentivo do comitê gestor dos programas de inclusão digital da Casa Civil, a decisão da Anatel de permitir que as concessionárias de telefonia abatam custos de universalização do ônus da concessão não agrada o Tesouro Nacional.Segundo o secretário do Tesouro, Arno Augustin, o assunto não está pacificado na administração federal, ainda que a agência reguladora já tenha incluído a possibilidade do benefício nos novos contratos de concessão. “Ainda não há nada definido sobre isso”, afirmou Augustin.

 

O ônus da concessão é como uma taxa recolhida diretamente pelo Tesouro Nacional. No caso das telecomunicações, é pago a cada dois anos e equivale a 2% da receita das operadoras. O último pagamento, em maio de 2009, foi de R$ 700 milhões. Nova parcela é esperada para o próximo ano.

O Tesouro Nacional sabe, no entanto, que caso prospere a decisão da Anatel, esse dinheiro não chegará aos cofres públicos. A agência incluiu em uma das cláusulas do contrato de concessão a possibilidade de que as empresas descontem do valor devido os custos relativos a metas de universalização, além de outras obrigações que vierem a ser definidas.

A questão dos custos é um dos entraves à proposta em discussão do novo Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU 3), relativo ao período de 2011 a 2015. As empresas sustentam, porém, que a Anatel subestimou os valores envolvidos nas novas metas e exigem a indicação de fontes de recursos para suportá-las.

O uso do ônus da concessão chegou a ser sugerido pela Superintendência de Universalização da agência como fonte complementar de recursos. Ao aprovar o novo modelo de contratos de concessão, o Conselho Diretor da Anatel incluiu a possibilidade desse benefício.

O assunto, porém, não foi discutido com o Tesouro Nacional, que é quem arrecada o ônus da concessão – segundo fontes da Anatel, justamente pelo temor de que aquele órgão negasse a iniciativa da agência. Tanto é que ao incluir o item nos contratos, o Conselho Diretor modificou um pouco a redação.

Originalmente, a ideia seria permitir o desconto no ônus da concessão a partir de critérios da própria agência. No momento da votação, no entanto, o Conselho Diretor preferiu um texto mais cauteloso e atrelou o abatimento dos custos de universalização às disposições de um decreto presidencial – que poderia ser o próprio decreto do PGMU.

Ao afirmar que o benefício às teles não é assunto resolvido – especialmente em um ano em que se espera algum aperto fiscal, como vem sugerindo o próprio ministro da Fazenda – a Secretaria do Tesouro Nacional reconhece que há espaço para impedir a adoção da medida caso a Presidência não a avalize.

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