Copa 2014: Governo já pensa em usar a Telebrás para suprir infraestrutura de TIC

ago 4, 2011 by

A Copa do Mundo de 2014 tem sido colocada como horizonte para a operação de uma nova estrutura de telecomunicações. Este foi o tema de juma mesa redonda realizada nesta terça-feira, 02/08, em São Paulo. De acordo com Júlio Puschel, analista da Informa, em 2014 o Brasil terá 107 milhões de linhas móveis 3G e, deste total, 4,7 milhões já utilizarão a tecnologia LTE (Long Term Evolution).

“A Copa do Mundo será a primeira meta das operadoras nos novos leilões”, afirma, lembrando que, ao contrário da tecnologia 3G, que chegou ao País com atraso de três ou quatro anos, a LTE será antecipada por conta dos grandes eventos esportivos, incluindo aí as Olimpíadas de 2016.

João Moura, executivo chefe da Telcomp (Associação Brasileira de Serviços de Telecomunicações Competitivas), concorda que grandes eventos esportivos são catalisadores para a introdução de novos recursos de TI. “Muitas dessas soluções passam a fazer parte da estrutura legada, se prestando a resolver outros tipos de problemas da sociedade. Deveremos ver uma enxurrada de novidades tecnológicas chegando ao Brasil por conta da Copa e das Olimpíadas”, afirma.

Por outro lado, ele lembra que comunicação, hoje, inclui imagem e vídeo, o que representa uma enorme demanda para as estruturas de telecomunicações. “O mesmo ocorre no mundo corporativo, onde o cloud computing não existe sem uma estrutura de qualidade”, afirma. E aí está o gargalo identificado pelo executivo: o país não tem esta estrutura de qualidade.

Para isso, Moura acredita que o governo deve focar-se, neste momento, na construção de uma agenda positiva que privilegie uma regulamentação em favor da competição, que foque o desenvolvimento de infraestrutura e que estimule a demanda. “A regulamentação vai criar motivação para novos investimentos no Brasil e, sobre a demanda, o Estado ajudaria mais a estimulando do que investindo recursos públicos”, acredita.

A questão tributária não escapou à análise da Telcomp. “Precisamos de um reforma mais arrojada que leve em conta novas a aplicações e investimentos de modo que o que vem pela frente tenha um alivio tributário, momentâneo ou definitivo”, defende Moura.

Para ele, o principal legado a ser deixado pela Copa – além da estrutura – deve ser a modernização do modelo regulatório brasileiro. “Temos condições de fazer um avanço grande e fazer reformas que estão na prateleiras há anos”.

Prazos em dia

Já para o Ministério das Comunicações, a situação não é tão crítica. Artur Coimbra de Oliveira, diretor do departamento de banda larga do Ministério, acredita que o setor de TIC está em um estágio diferenciado em relação aos outros. “Muitos terão que se atualizar, o que não é caso de TIC, que terá apenas que avançar”, afirma.

Ele ressaltou que, em relação à tecnologia, o objetivo do governo federal é disponibilizar a estrutura exigida pela organização dos eventos e, ao mesmo tempo, deixar um legado para as cidades sede. No caso da Copa do Mundo, há dois critérios exigidos pela FIFA: infraestrutura de transmissão de TV e de suporte aos locais e escritórios do evento, como hotéis, centros de mídia, estádios, centros de transmissão etc.

“Nesse sentido o governo vem procurando esclarecer os critérios da Fifa e levantar o que já existe. Até aqui, mapeamos a estrutura existente no País”, diz. De acordo com Coimbra, o Brasil tem hoje uma capacidade disponível de 680 Gbps para transmissão de dados e, em relação ás redes de telefonia, cada cidade sede tem pelo menos quatro operadoras. Além disso, há 41 satélites em operação no Brasil, oito deles nacionais.

O executivo não demonstrou preocupação em relação aos prazos, dizendo que estes estão sendo cumpridos dentro do planejado. Também em relação ás metas que deverão ser cumpridas pelas operadoras, Coimbra se mostrou tranquilo: “caso as operadoras não atinjam as metas, o governo pode lançar mão a Telebrás para complementar o que foi acordado com a FIFA”. Segundo Coimbra, a estatal teria R$ 200 milhões liberados para usar especificamente para oferta de TIC no evento.

Rodrigo Meira, assessor do Ministério dos Esportes, explicou que o governo federal definiu três blocos de investimentos que seriam: projetos de infraestrutura entre 2009 e 2010; projetos de infraestrutura de suporte e serviços entre 2010 e 2011; e operações e ações específicas entre 2011 e 2013. “Para o primeiro bloco, foram definidos R$ 25 bilhões em investimentos”, lembra.

Sobre a possibilidade de atraso, no caso da estrutura de TIC, Meira também se mostrou tranquilo. “O mapeamento está em conclusão e grande parte das redes já existe. Teremos apenas que complementá-las”, afirma. Até mesmo um eventual atraso na construção dos estádios é minimizado. “O atraso nas obras impacta pouco a infraestrutura, porque a maior parte dos investimentos vai para a construção das redes metropolitanas”, defende Coimbra.

Mas para Moura, da Telcomp, não é bem assim. Ele lembra que a maior parte dos estádios não está considerando a estrutura de TIC em seus projetos, que têm sido liberados pelo BNDES mesmo assim. “Esperamos que as construtoras e os responsáveis pelo gerenciamento das arenas atentem para isso”.

Sobre o andamento dos projetos, tudo parece estar em planejamento. Coimbra afirmou que a definição das responsabilidades entre governo federal, Fifa e Oi – patrocinadora oficial da Copa – será definida nos próximos meses. Do mesmo modo, a estrutura de energia que dará suporte à TIC tem sido discutida.

“Temos tido reuniões mensais com a participação do Ministério da Energia justamente para que isso seja contemplado nos planos”, afirma Meira. Mesmo a possível desoneração fiscal de alguns setores continua em discussão. “O tema está em discussão. Existe um plano que deverá estimular a competição e que será divulgado a qualquer momento”, afirma Coimbra.

Ainda assim, os dois representantes do governo federal afirmam que tudo deverá estar pronto seis meses antes da abertura da Copa do Mundo, exceto as cidades que sediarão a Copa das Confederações (nove delas), que deverão estar com suas estruturas disponíveis uma ano antes. Parece pouco para um evento que, segundo as contas do próprio governo, deverá agregar R$ 183 bilhões à economia brasileira, R$ 47 bilhões de forma direta, atrair 600 mil turistas, movimentar R$ 5 bilhões em consumo e R$ 16,8 bilhões em arrecadação de impostos.

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