Telebrás parece atender expectativas dos pequenos operadores, mas ainda deixa muitas indefinições
Desde que a foi anunciada a recriação da Telebrás no ano passado, o mercado de banda larga parece já ter sentido bastante o seu efeito. Mas, até hoje ainda são muitas as mudanças e as dúvidas que o setor tem com relação a forma e a força de atuação da S/A. Isso ficou bastante latente no painel “Custos e desafios da banda larga” realizado nesta semana no Congresso ABTA 2011 que contou com a presença de Rogério Boros, diretor comercial da Telebrás, Alberto Umhof, diretor geral da Boa Vista TV a Cabo, Roger Karman, diretor geral da Net Angra e Erich Rodrigues, vice-presidente da ABRINT.
Rogério Boros abriu a mesa com uma palestra explicativa sobre como a estatal pode ser atrativa para o mercado de banda larga por atacado no país. Segundo ele, a baixa densidade do serviço no território nacional responsável por colocar o Brasil em 79º no ranking mundial da oferta do serviço comprova como existe uma verdadeira fatia do mercado em potencial para os provedores regionais, desde que os altos custos de infraestrutura não se tornem inviável para estes. “A Telebrás quer servir como back bone geral de internet, para que os provedores baixem seus custos”, afirmou.
Os dados apresentados pelo executivo mostraram que o Brasil possui uma grande concentração de mercado nos serviços de prestação de banda larga. Segundo dados divulgados pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR – o NIC.br – atualmente os cinco maiores provedores detém 91% do mercado, enquanto os outros 1576 dominam apenas 9%.
As metas da Telebrás continuam bastante ambiciosas, embora não tenha alcançado o objetivo inicial de conectar as 100 primeiras cidades até o final de 2010. A nova estratégia traçada é que até 2014, a rede de fibras da estatal alcance 4.283 municípios, ou 77% deles em todo Brasil, o que significa cobrir 85% da população.
Alberto Umhof, diretor geral da Boa Vista TV a Cabo, alertou para o fato de as pequenas e médias empresas terem necessidades de receberem tratamento diferenciado da estatal em relação às grandes operadoras do mercado. “Esse tratamento diferenciado equilibraria a diferença entre grandes e pequenos”, disse. E Umhof falou também do papel social que deve ser desempenhado pela empresa como agente responsável pela implantação do PNBL. “ a Telebrás precisa fomentar esses operadores”.
Os preços atuais praticados no mercado na oferta de links também parece ser um dos principais desafios do setor para que as pequenas operadoras atinjam a meta do Plano Nacional de Banda Larga de oferecer internet a R$ 35 reais. Mas, de acordo com o diretor geral da Net Angra, Roger Karman só o anúncio de que a rede da Telebrás chegaria a algumas regiões já surtiu efeito na redução de preços dos links comprados pelas pequenas operadoras. “A concorrência é algo saudável. A questão, no entanto, é quando e como esses links estatais serão oferecidos”, disse.
Erich Rodrigues, da Abrint reivindicou que a estatal não se atenha somente a banda larga e fomente o setor de maneira que os pequenos provedores também fiquem aptos a oferecerem serviços de triple play ( internet, TV por assinatura e telefonia fixa na mesma plataforma), e para isto seria necessária uma proteção para a classe por parte da estatal. “A nossa luta é que exista isonomia para os pequenos provedores”.
Outra questão levantada pelo Instituto Telecom e que ficou em aberto foi com relação aos investimentos disponíveis para a estatal para o cumprir as metas apresentadas se fundos estratégicos como o Fust, Funttel e Fistel são contingenciados pelo governo e foi determinado que a Telebrás poder pagar até 25% mais caro por equipamentos produzidos pela indústria nacional.
O debate ao mesmo tempo que mostrou um certo otimismo do setor com a parceria com a Telebrás deixou em aberto definições importantes como qual será o modelo de negócios, os termos de compromisso propostos e a possibilidade técnica de evolução desta oferta de banda larga. Umhof, falou, por exemplo, da necessidade de a estatal deixar claro qual é o seu foco de atuação.“Falar em evolução da banda, de 5, 10, 15 Mbps significa evolução de rede. Será necessário investimento em infraestrutura ótica, mas temos de repensar isso. O foco tem de ser em volume, em escala? Para que essa banda? Se formos rodar vídeo, melhor estabelecer parcerias com outros provedores”, questionou.




