Estudo defende celular como instrumento de inclusão digital
Uma pesquisa da FGV, patrocinada pela Vivo, indica que o Brasil está na média mundial em inclusão digital. Para chegar ao resultado, o economista Marcelo Neri desenvolveu um indicador integrado de telefonia, Internet e Celular, batizado de ITIC, que mede a penetração dos serviços.
Com base nesse indicador, o Brasil se situa na 72a posição, entre 161 países, com 51,25% de ITICC próximo da média global de 49,1%. O líder mundial de acesso a tecnologia, pelo mesmo indicador, é a Suécia (95,8%) – o lanterna é a República Centro Africana (5,5%).
Neri sustenta que por ser a plataforma da inclusão digital mais abrangente no Brasil e no mundo, o celular merece ter papel preponderante nas políticas públicas. “O celular está onde os pobres estão. Precisamos desenvolver estratégias para levar conteúdo a essa plataforma”, afirma o economista.
Segundo a pesquisa “O início, o fim e o meio digital”, 84,2% da população brasileira com 15 anos ou mais vivem em domicílios com celular, contra 39,83% da cobertura de computador com internet – os números foram recolhidos com base no Censo 2010, do IBGE.
Esse panorama é global. Em 2011, a média mundial de cobertura da Internet era 36,3% contra 79,96% da cobertura celular. Há apenas 4 entre 160 países pesquisados onde a cobertura de Internet supera a de celular: Canadá, Cuba, Holanda e Porto Rico.
O dilema é que a pesquisa não diferencia celulares restritos ao serviço de voz daqueles com acesso à rede. Ainda que se considere que exista uma tendência dos smartphones substituírem os aparelhos simples, o resultado, como indicador de inclusão digital, acaba distorcido.
Tanto é assim que se o Brasil aparece com ITIC de 51,25% no cômputo geral, o indicador cai para 39,3% quando os celulares são excluídos. A mudança não afeta o topo do ranking – ou seja, os países mais “digitalizados” – mas faz diferença nos demais. “As taxas de inclusão são de 15 a 30 vezes menores”.
Nesse sentido, permanece o resultado encontrado em uma pesquisa anterior do economista, sobre o grau de inclusão digital do país. “Cerca de 65% dos brasileiros ainda estão alheios ao uso da Internet”, repete o estudo. Ou ainda, que apenas 30,8% dos brasileiros usaram a Internet nos últimos três meses.




