Brasil não está preparado para enfrentar uma guerra cibernética

set 5, 2012 by

Apesar dos esforços do governo brasileiro em criar uma política e uma infraestrutura de defesa, o país ainda não está preparado para enfrentar uma guerra cibernética. É o que admitiu nesta terça-feira, 04/09, o General José Carlos dos Santos, chefe do departamento de Ciência, Tecnologia e Defesa Cibernética do Exército, durante participação em painel no Rio Info 2012.

“Objetivamente falando, nós não estamos preparados – a não ser de forma localizada- para enfrentar um conflito cibernético, que acredito também não esteja às nossas portas. A criação de setor cibernético foi emitida no final de 2008 e para implementar estas infraestruturas nós vamos ter a necessidade de uma maturação e de uma participação das empresas e interação com as agências governamentais. Mas isso vai levar algum tempo ainda”, observou o general Santos.

Hoje, segundo ainda o chefe do departamento de Ciência, Tecnologia e Defesa Cibernética do Exército, a maior vulnerabilidade nacional está nas redes de infraestrutura dos serviços públicos como energia, telecomunicações e até nas do sistema financeiro, controladas por empresas privadas que não estão alinhadas com os requisitos de segurança nacional. Na palestra proferida no Rio Info, Santos citou dados da Febraban, nos quais nos últimos 18 meses, o setor bancário teve perdas de R$ 1,7 bilhão, o que representa um terço do orçamento do exército.

As Forças Armadas querem, para reverter esse quadro, trazer as agências governamentais de controle para um amplo projeto no sentido de levar as concessionárias de serviços e o sistema financeiro a se adequarem aos esforços de segurança. “Nós compartilhamos dessa preocupação, que não atinge apenas o Brasil, mas também os EUA, para que haja a compatibilização da exploração econômica desses serviços essenciais com as condições mínimas de segurança desses sistemas”, disse.

“Temos tido contato com algumas agências de governo como Anatel, Aneel, Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), Minicom e com a Febraban. Nosso principal interlocutor é o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da presidência da República. Recentemente a Agência Nacional de Telecomunicações agiu sobre a telefonia celular, quando os requisitos mínimos de acesso ao sistema não estavam sendo cumpridos, e algumas empresas tiveram uma punição exemplar”, completou Santos.

Para o chefe da segurança cibernética nacional, o Brasil terá de criar uma legislação regulatória para tratar do tema. Salienta ainda que como o país vive uma economia de mercado será preciso convencer companhias, governo, universidades e outros atores a abraçarem essa legislação. Tanto que um dos projetos do Instituto Militar de Engenharia (IME) é a criação de um laboratório de sistemas ESCADA, responsáveis pelo controle de redes de serviços automatizados, como as redes elétricas. Ele ressaltou que o tema de segurança cibernética é uma atividade recente em todo o mundo e o Brasil está nos primeiros passos.

“Ainda não vivemos uma guerra cibernética. O que existem são armas. No setor cibernético é tão destruidor o efeito de uma arma lógica que não há perspectiva de uso imediato e, naturalmente, o ambiente mundial desfavorece isso. Se fossemos imaginar um ataque pelo exército de hackers da Coreia do Norte contra a estrutura sul coreana, certamente a reação mundial seria tão grande que os estrategistas norte-coreanos iriam avaliar. Da mesma forma, os EUA consideraram o emprego da arma cibernética na Líbia nos meses que antecederam a ação militar real. Eles discutiram muito e acharam que não era o momento adequado de se usar este tipo de arma”, observa.

Criado em agosto de 2010, o Centro de Defesa Cibernética (CD-Ciber), já foi utilizado durante a Rio + 20 e deverá executar a segurança cibernética também durante a Copa das Confederações e a visita do Papa em 2013, além da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Agora, acrescentou Santos, o governo trabalha na elaboração de uma política de defesa cibernética onde a integração é fator-chave.

O comandante do CDCiber (Centro de Defesa Cibernética) informou ainda que a unidade desenvolverá seus próprios produtos e que dois deles já estão em fase final de testes: o antivírus Defesa BR, que deve entrar em comercialização em janeiro de 2013, e o simulador de guerra cibernética, que já está em finalização para ser lançado no final deste mês.

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