Telecentros – Rede acessível nas comunidades

set 13, 2012 by

É unânime. E triste. Em qualquer site de busca, basta digitar “comunidade do Jacarezinho” que os tópicos a ela relacionados são: violência, favela, tiroteio, operação, tráfico, crack. Sim, o Jacarezinho é tudo isso. Mas não é apenas isso.

Uma das favelas mais pobres do Rio, o Jacarezinho, como a população da cidade se refere ao local, ainda é dominado por quadrilhas de traficantes e, desde 2009, abriga uma das maiores cracolândias da cidade. Embora muitas vezes anunciada, até setembro de 2012 a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), da Secretaria Estadual de Segurança Pública, não havia chegado lá. O que chega, praticamente toda semana, é o temido Caveirão, o blindado da Polícia, em confrontos que já culminaram em muitas tragédias, com a morte de moradores inocentes, inclusive crianças.

E não falta criança nem adolescente no Jacarezinho. Não há dados oficiais sobre o número de menores até 18 anos entre a população, estimada em cerca de 36 mil moradores. Basta, contudo, um passeio pela comunidade para ver dezenas de crianças e adolescentes pelas ruelas e praças e, lamentavelmente, nos pontos de venda de drogas ou dormindo ao longo da linha do trem onde está instalada a cracolândia.

 

Em contraponto, no Jacarezinho há uma atuação marcante dos movimentos sociais. A comunidade tem uma Associação de Moradores e uma Associação das Mulheres, duas rádios comunitárias, um jornal local, a escola de samba Unidos do Jacarezinho, um centro cultural e, desde 2009, um centro de cidadania, o Centro de Referência da Juventude – Estação Jacarezinho, ligado à Secretaria de Estado de Ação Social, onde são oferecidas oficinas de artes e esportes e cursos de qualificação. Todos com um só objetivo – tirar o jovem do foco do tráfico e oferecer alternativas de educação, trabalho e renda.

 

Desde 2010, é nesse espaço também que está instalado um dos Telecentros do Instituto Telecom, oficialmente inaugurado em abril deste ano. Além de promover a inclusão digital, oferecendo à comunidade acesso livre à internet banda larga, o Telecentro oferece cursos de informática e está nos seus planos para 2013 o curso de web designer.

 

Carol Dorigo, coordenadora do Telecentro, faz parte de uma família que tem história no Jacarezinho por sua atuação no movimento social desde a época em que na comunidade estavam instaladas grandes empresas, como a General Eletric e a Cisper. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, o Jacarezinho já sediou cerca de 50 metalúrgicas, que empregavam mais da metade dos moradores. Praticamente todas faliram após a crise econômica do início da década de 1990.

Hoje, a família Dorigo, ao lado dos movimentos sociais, rema contra a maré do tráfico e da violência.

 

Entusiasmada, Carol tem vários projetos para o Telecentro que já funciona com seis turmas de informática sendo duas teen, duas do ciclo básico e duas do ciclo avançado, além de lan house livre. No total, são 78 alunos com idade a partir de 10 anos – há também a população da terceira idade interessada em se manter atualizada digitalmente. A ideia é ampliar a lan house como ponto de apoio a pesquisas escolares e para a pré-matrícula escolar, uma vez que a matrícula na rede pública de ensino na cidade do Rio de Janeiro só é feita pela internet.

 

Como o Telecentro funciona dentro do CRJ, os jovens também participam de atividades como aulas de ginástica, teatro, percussão, boxe, muay thay e curso de cabeleireiro.

 

O Jacarezinho – cujo nome remete não ao animal, mas ao rio que corre na região, o Jacaré, que vem do termo “yacarè”, “o que é torto, sinuoso” – luta com a convicção de que, como nas comunidades já atendidas por UPPs, a pacificação também chegará lá.

 

A vez da Formiga e Ilha do Governador

Depois do Jacarezinho, o Instituto Telecom já instalou dois Telecentros – um na comunidade da Formiga, na Tijuca, em parceria com o Instituto Trabalho e Cidadania (ITC); e outro na Ilha do Governador, em parceria com o Lions Club. Este último, dada às características do trabalho do Lions, tem tido grande procura por parte de pessoas com mais de 50 anos interessadas em aprender a lidar com a informática e até a se qualificar para o mercado de trabalho.

 

Na Formiga, comunidade pacificada há um ano, o ITC vem desenvolvendo um trabalho de inclusão social já há vários anos, voltado especialmente para a área cultural. Como o bairro sedia três tradicionais escolas de samba – Salgueiro e Unidos da Tijuca, do Grupo Especial; e Império da Tijuca, do Grupo de Acesso A – o Instituto oferece cursos de percussão para as crianças da comunidade e instalou o Ponto de Cultura Synval Silva, em homenagem a um dos mais importantes sambistas cariocas. Também conta com o Projeto Cine Formiga, que pretende formar plateias com a exibição de filmes para as crianças das creches e escolas da comunidade. O ITC também conta com um estúdio de gravação de áudio.

 

O Telecentro da Formiga vai permitir ampliar o número de vagas para os cursos de informática e o acesso dos moradores à internet banda larga. O próximo a ser inaugurado pelo Instituto Telecom será o Telecentro de Campinho, em Campo Grande, zona oeste da cidade ainda dominada por milícias.

Artigos relacionados

Tags

Compartilhe

Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *