Brasil concentra 41% do investimento estrangeiro na América Latina
A região da América Latina e Caribe recebeu em 2012 investimentos diretos estrangeiros em valor recorde de US$ 173,3 bilhões – 6,7% superior a 2011, apesar do contexto de redução dos fluxos mundiais, conforme informou nesta terça-feira, 14/5, a Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) das Nações Unidas.Os valores se explicam pelo crescimento econômico sustentável da região, os altos preços das matérias primas e a elevada rentabilidade dos investimentos associados a exploração de recursos naturais, destaca o relatório da Cepal sobre investimentos diretos estrangeiros apresentado pela entidade. Em 2013, a Cepal projeta que os IEDs se situarão entre uma queda de 3% e um aumento de 7%.
“Os resultados obtidos demonstram o bom momento que a economia da América Latina atravessa. No entanto, não vemos indícios muito claros de aportes relevantes estrangeiros diretos em novos setores ou a criação de atividades de alto conteúdo tecnológico, considerando que um dos maiores desafios da região é modificar sua estrutura produtiva”, avaliou a secretaria executiva da Cepal, Alicia Bárcena.
O relatório destaca, também, o papel de economias latinas como investidoras em outras regiões do planeta. Ou seja, as empresas transnacionais locais continuam em processo de expansão internacional e no ano passado absorveram ou compraram blocos de controle de empresas europeias, principalmente. Esses investimentos latinos fora da região cresceram 17% no ano passado, chegando a US$ 48,7 bilhões.
Na última década, Brasil, Chile, Colômbia e México concentraram esses investimentos. No ano passado, no entanto, os maiores destaques foram o México e o Chile – e se a economia mexicana investiu US$ 25,5 bilhões no exterior, uma das maiores responsáveis pelo desempenho foi a gigante de telecomunicações América Móvil – que no Brasil controla Claro, Net e Embratel. Segundo a Cepal, embora até então a empresa viesse concentrando os aportes na própria região, no ano passado decidiu fazer compras na Europa, adquirindo participações relevantes em teles da Áustria e da Holanda, num total de US$ 4,4 bilhões.
Mas com exceção de Brasil e México, o peso das atividades mais tecnológicas é muito limitado nos investimentos estrangeiros. De acordo com o relatório, os IEDs se orientam cada vez mais na direção da exploração de recursos naturais, particularmente na América do Sul. Já o lucro das empresas transnacionais que atuam na América Latina e Caribe cresceram 5,5 vezes nos últimos nove anos, passando de US$ 20,4 bilhões em 2002 a US$ 113 bilhões em 2011.
Em média, as empresas transnacionais repatriam às matrizes uma proporção dos lucros (55%) superior ao que reinvestem na região (45%). Na prática, destaca a Cepal, o aumento tão significativo nos lucros tende a neutralizar o efeito positivo que produzem os IEDs na balança de pagamentos. Entre 2006 e 2011, as rendas com IEDs na região ficaram, em média, em US$ 92 bilhões – ou 92% do valor dos investimentos no mesmo período.
O Brasil continua sendo o principal destino aos investimentos estrangeiros diretos – apesar da pequena queda de 2% em 2012, quando recebeu US$ 65,2 bilhões, ou 41% do total registrado para toda a região. Em seguida aparece o Chile, com US$ 30,3 bilhões. O México foi o país que teve a redução mais importante – a queda nos IEDs foi de US$ 6,7 bilhões, mas em grande medida devido à saída à bolsa do Santander México no ano passado.
Embora os Estados Unidos e a Europa continuem sendo os principais investidores, o relatório da Cepal destaca que 14% do total dos investimentos diretos foram feitos por países latinoamericanos – embora com a ressalva de que parte desses recursos representam a prática de transnacionais utilizarem filiais no exterior para canalizar aportes em terceiros países.




