MFS aposta no desejo de status e tecnologia para bancarizar classes D e E

maio 15, 2013 by

A MFS, joint venture formada no ano passado entre a Telefónica e a MasterCard para pagamentos móveis, apresentou em São Paulo nesta terça-feira, 14, o Zuum. A conta ligada a uma linha pré-paga tem como objetivo atingir a população desbancarizada do país, principalmente das classes D e E, munindo-os com a possibilidade de realizar transferências, pagamentos e recargas pelo celular.
A companhia realizou uma pesquisa com 200 pessoas nas regiões de São Paulo e Salvador a fim de elaborar um personagem para representar seu público alvo. De renda mensal fixa baixa (R$ 400) proveniente do trabalho de porteiro do companheiro, a persona criada é a diarista Adriana, responsável pela administração das finanças. O complemento vem do pagamento de seu trabalho ocasional de limpeza, recebido em dinheiro. Assim, está sujeita a flutuações semanais dos recebíveis e ainda conta com incrementos e empréstimos de e para vizinhos ou familiares, em uma complexa “teia” de relações financeiras.

“Estamos pedindo permissão para inserir o Zuum nessa ‘teia’, porque assim acreditamos que vamos atender o desejo por um serviço com conveniência, rapidez e tecnologia. O mais importante é que o celular já esta presente entre as pessoas de baixa renda, não estamos forçando uma adesão”, defende o CEO da MFS, Marcos Etchegoyen. Para o executivo, essas pessoas têm desejo de inclusão social e até certo status por meio desde usos simples, como de um cartão magnético, até mais complexos, como o celular para movimentações financeiras. “Temos que entender que, para essas classes, o celular não é apenas um meio de comunicação, é status e entretenimento.”

Até o fim do ano, a MFS espera atingir 200 mil clientes ativos e até 600 mil transações mensais. Hoje, a base de clientes pré-pagos da Vivo é de 56 milhões de linhas, cujos titulares desbancarizados representam de 25% a 30%. Com operação desde novembro do ano passado, a joint venture já disponibiliza o serviço nas cidades de Osasco, Sorocaba, Mogi das Cruzes, Jundiaí e Guarulhos, em São Paulo, seguindo para Belo Horizonte, em Minas Gerais. A partir do ano que vem, o serviço inicia a expansão de modo a atingir cobertura nacional até o fim de 2014.

Modelo de negócio

O depósito em dinheiro na conta Zuum é feito nos postos de recarga Vivo. As transações, por sua vez, são realizadas pelo celular comum pela tecnologia USSD (sigla em inglês para dados de serviço suplementar não estruturados), em mensagens SMS. Vinculado à conta, o cliente tem a opção de comprar um cartão para compras no débito, aceito em 1,8 mil estabelecimentos da rede Cirrus.

A fim de atingir uma parcela da população com renda extremamente baixa, o apelo é a ausência de pagamento de assinaturas para manutenção da conta. Os serviços serão taxados pelo uso unitário. Por enquanto, estão disponíveis a transferência entre contas Zuum e a aquisição do cartão plástico – que custam 0,99 e 14,90, respectivamente. O apelo para aceitação das tarifas é de converter esses gastos em bônus de minutos para ligações no celular. “No caso do cartão, para estimular o ingresso dos clientes, o bônus em ligações será creditado em dobro até o fim do ano”, explica Etchegoyen. Todas as informações de histórico, extrato e comprovantes serão mantidas em SMS no próprio aparelho. O cartão pode ser utilizado para saques em caixas eletrônicos da rede Cirrus e Banco 24 Horas, ao custo de R$ 6,90 por operação.

A MFS não revelou as instituições responsáveis por manter as quantias em dinheiro em contas individuais de cada cliente. Etchegoyen afirma que são “bancos das maiores redes do país”. A companhia estabeleceu limites para controlar o uso apenas por pessoas físicas das classes estabelecidas – R$ 2.700 de saldo final em depósitos e envio de R$ 1.000 em transferências únicas para outras contas.

Expansão

Até agosto, a MFS pretende disponibilizar o acesso às informações da conta por meio do site, bem como a criação de contas Zuum jurídicas. Quando esse serviço estiver pronto, será possível também receber depósitos bancários da rede financeira tradicional. Outros produtos futuros incluem também o pagamento de contas de água, luz e TV a cabo por meio do envio de mensagens no celular informando o código do cliente, ao custo de R$ 2,90 por operação.

Além disso, a MasterCard está trabalhando nos sistemas para permitir que os titulares dos cartões plásticos o utilizem para a compra em lojas virtuais. “Não podemos subestimar o uso da internet por essa fatia da população. Eles já estão inseridos no meio online, seja até mesmo por intermédio de familiares ou vizinhos”, expõe o CEO Marcos Etchegoyen. Está prevista também para o fim deste ano a criação de aplicativos para iOS, Android e Windows 8. “Não queremos substituir nenhuma conta bancária. Apenas o dinheiro em papel.”

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