Não sou o patinho feio

fev 3, 2014 by

 

O escritor Nelson Rodrigues já afirmava que toda unanimidade é burra. Lamentavelmente, as operadoras, em conjunto com a Anatel, conseguiram criar uma unanimidade em relação ao telefone público, visto como obsoleto, um instrumento que ninguém utiliza. Com isso, conseguiram sucatear toda a rede de orelhões (TPs), implantada basicamente com recursos públicos. Não há manutenção, nem incentivo para que as pessoas o utilizem. Dizem que na era da mobilidade não há razão para investir nesta rede.

Com essa lógica, a cada renovação dos contratos de concessão as operadoras recebem um prêmio da Anatel, com a redução legalizada dos orelhões. O que era uma rede com cerca de 1 milhão e 400 mil, hoje não chega a 800 mil. E a maioria não funciona.

Ocorre que a Oi disponibilizou gratuitamente seus TPs no Rio de Janeiro. Resultado: um aumento de 150% no volume de chamadas.

Nós, do Instituto Telecom, continuamos a defender que telefonia celular e telefonia fixa, incluindo os orelhões, são complementares e devem ser utilizados de forma eficiente. No caso dos TPs, ao invés de continuar reduzindo a densidade de telefones públicos por mil habitantes (em 1998 eram 8 orelhões por 1000; atualmente, a relação é de 4 por 1000), operadoras e Anatel deveriam divulgar que o orelhão tem a menor tarifa comparado com qualquer outro telefone, e que pode ser um excelente ponto Wi Fi.

Temos certeza de que nesse debate as concessionárias e a Anatel querem inverter a história e transformar um cisne num patinho feio.

 

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