Provedores: é hora de investir em sistemas autônomos próprios
O desenvolvimento de sistemas autônomos (AS, na sigla em inglês) para as entidades brasileiras ainda é um desafio para o setor. Um AS é um grupo de redes IP, abaixo de uma única gerência técnica e que compartilham uma mesma política de roteamento. Falta, nas palavras de Milton Kaoru, diretor de projetos especiais e de desenvolvimento do NIC.br, cultura por parte dos provedores de internet para entender os benefícios do AS. Atualmente, existem pouco mais de 2450 sistemas autônomos ativos — e muitos não são provedores. De acordo com a entidade, boa parte terceiriza o AS para as grandes operadoras por uma questão de custo e de falta de mão de obra especializada.
A consequência desta baixa adesão é o alto valor pela interconexão dos dados trafegados. Além disto, com o esgotamento dos endereços IPv4 e a transição para a nova versão, o IPv6, os provedores que não possuírem AS podem enfrentar dificuldades uma vez que dependem de outros provedores, o que pode vir a se tornar caro. “Ter a cultura da troca de trafego é importante, melhora a qualidade para os usuários que querem ter rapidez, porque ter uma banda elevada não resolve problema de latência. O conteúdo precisa estar próximo”, afirmou Kaoru, durante evento da Abranet, realizado entre 10 e 11 de abril, em São Paulo.
Dizer que o sistema é autônomo significa que ele possui autonomia ou poder de decisão para as diferentes opções de caminhos externos (conexão com outros AS). Ou seja, tem uma política de roteamento distinta. Ao se tornar um sistema autônomo a entidade se torna independente de provedor e o processo de troca do provedor de acesso a Internet passa a ser mais simples, pois não envolve mudanças de configuração interna.
Além disto, passa a ter um espaço de endereçamento IP próprio para alocação de endereços IP válidos diretamente para clientes, o que melhora a utilização de algumas aplicações, facilita o processo de rastreabilidade de clientes (segurança), entre outros. Outro ponto colocado refere-se à redundância, pois possibilita a implantação de redundância do acesso à internet devido à conexão com dois ou mais provedores, havendo um aumento da disponibilidade dos serviços prestados.
Por fim, os acordos de troca de tráfego possibilitam a conexão da entidade com pontos de troca de tráfego (por exemplo, o PTTMetro) e o estabelecimento de acordos multilaterais e bilaterais, o que pode resultar em economia de recursos com a contratação de banda e melhor qualidade de interconexão.
Como se tornar um AS
Para se tornar um sistema autônomo, o provedor deve o provedor precisa ser multihomed (ter dois ou mais conexões independentes à internet ou então uma conexão com uma operadora e uma conexão a um PTT). A alocação mínima é de um /20 e a entidade deve justificar o uso inicial de pelo menos 25% deste bloco (aproximadamente, 1000 endereços IPs). Para o IPv6, o prérequisito atual é possuir alocação IPv4 e a alocação mínima para IPv6 é /32 para ISP e /48 para usuário final.




