Presidente de Telefônica Vivo alerta que leilão arrecadatório adia implantação de rede de telecom
O presidente do grupo Telefônica Vivo, Antonio Carlos Valente, afirmou hoje que a Europa, ao fazer o leilão de frequência de 3G somente com o intuito de arrecadação, como ocorreu no final do século XX, acabou atrasando a implantação das redes de comunicação de dados naquele continente. O executivo, que ainda disse estar analisando o edital de venda do leilão de 700 MHz, lançado para consulta pública pela Anatel, fez esta observação ao ser indagado pelos jornalistas sobre o que ele achava da intenção do governo de querer arrecadar R$ 7,5 bilhões com a venda das licenças.
Para o executivo, ainda existem muitas dúvidas em relação às regras do leilão, que só serão conhecidas quando da publicação definitiva do edital. Ele lembrou que mesmo o preço mínimo ainda gera dúvidas, visto que, ontem em entrevista do ministro Paulo Bernardo, alguns jornais publicaram que esta cifra estaria incluindo os recursos para o ressarcimento dos radiodifusores. O ministro, no entanto, afirmou que a arrecadação prevista pelo Ministério da Fazenda é de no mínimo R$ 7,5 bilhões e que as operadoras terão também obrigações de ressarcir os radiodifusores, cujos valores estarão também expressos no edital. “Faz toda a diferença do mundo saber se neste valor estará ou não incluído o preço do ressarcimento”. Fontes do MiniCom confirmaram ao Tele.Síntese que de fato, a expectativa do governo é arrecadar entre R$ 6 a R$ 8,5 bilhões, além do pagamento a ser feito aos radiodifusores.
Valente não quis comentar, no entanto, qual a sua visão sobre o mercado brasileiro de celular no que se refere ao ingresso de mais um competidor. Assinalou que a frequência é um bem fundamental para a sociedade, e lembrou que na última licitação, de 2,5 GHz, a União arrecadou R$ 3 bilhões vendendo um espectro maior – de 20 MHz -. Neste leilão a Anatel vai vender quatro blocos de 10 MHz.
Financiamento
Valente elogiou também a intenção de o governo buscar novos financiamentos para a ampliação da infraestrutura, conforme anunciado ontem por Paulo Bernardo, mas observou que são necessários diferentes estímulos, visto que as operadoras – umas mais, outro menos- estão com altos níveis de endividamento. E elogiou a redução do Fistel no chip M2M, mas acha que novas medidas podem ser tomadas, visto que os custos do setor estão proibitivos.




