AT&T vai pagar US$ 48,5 bilhões pela DirecTV, de olho na América Latina
Depois de uma semana de rumores, os conselhos administrativos das duas companhias anunciaram neste domingo, 18/05, que a transação foi aprovada por unanimidade.
A operadora AT&T prepara-se para comprar a DirecTV, maior provedora de serviços de TV paga por satélite dos EUA, por US$ 48,5 bilhões. O anúncio foi feito neste domingo, quando os conselhos administrativos das duas companhias confirmaram a aprovação unânime da transação. O anúncio confirma os rumores que circularam ao longo dos últimos dias.
Os acionistas da DirecTV vão receber 95 dólares por ação, sendo 28,50 dólares em dinheiro e 66,50 dólares em ações da AT&T. O valor total da transação deverá atingir US$ 67,1 bilhões com as dívidas da DIRECTV. A AT&T está pagando 7,7 vezes o valor estimado de EBITDA da DirecTV. A negociação precisa ainda ser aprovada pelos organismos regulatórios de mercado.
O Chairman e CEO da AT&T, Randall Stephenson, divulgou declaração oficial dizendo que “a DirecTV é a melhor opção porque tem uma marca premium na TV paga, os melhores acordos de conteúdo e um negócio em crescimento acelerado na América Latina. Juntos poderemos ampliar inovação e prover novas escolhas competitivas para os consumidores em mobile, vídeo e serviços de banda larga”.
Segundo Stephenson, a compra é “uma oportunidade única que vai redefinir a indústria de entretenimento em vídeo e criar uma companhia capaz de oferecer novos pacotes de entretenimento e entregar conteúdo para consumidores em múltiplas telas – dispositivos móveis, TVs, computadores, carros e até aviões”.
Ser comprados pela AT&T “trará benefícios significativos para todos os consumidores, acionistas e empregados da DirecTV”, declarou o presidente e CEO da companhia, Mike White.
A AT&T vai abrir mão de sua participação na América Móvil, na América Latina, para eliminar eventuais conflitos de interesse que possam bloquear a transação na região por parte dos órgãos reguladores. A empresa comunicou que seus representantes no board da América Móvil apresentaram seu pedido de demissão imediata de seus cargos.
O acordo deverá se completar em 12 meses e a companhia disse, no comunicado, que deverá logo de saída, beneficiar 70 milhões de consumidores com a ampliação das oportunidades de acesso a banda larga de alta velocidade.
Abaixo vai a lista de itens que a AT&T pretende encaminhar com a transação:
– a companhia vai ampliar o seu serviço de banda larga de alta velocidade para 15 milhões de clientes espalhados nos Estados Unidos, especialmente em áreas rurais.
– as empresas combinadas vão oferecer serviço de banda larga por cabo a velocidades de pelo menos 6 Mbps onde for possível, em lugares onde já oferece serviços de banda larga IP com preços garantidos por três anos depois do fechamento do negócio.
– Por pelo menos mais três anos a DirecTV vai continuar a oferecer serviço de TV paga com sua marca com preços de pacotes de amplitude nacional de valores idênticos, não importando onde vivem os consumidores.
– A companhia resultante da fusão vai continuar seu compromisso por três anos relativo às proteções para internet aberta estabelecidos em 2010 pela Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos EUA.
– O acordo não vai mudar os planos da AT&T de participar dos leilões de espectro de banda previstos pela FCC para o final de 2015.
A compra poderá representar para a AT&T um agregado de 25 milhões de clientes de TV paga (pertencentes à DirecTV) aos seus atuais 5 milhões de usuários do serviço de cabo U-verse. E, possivelmente, poderá fazer da AT&T a maior provedora de TV paga dos EUA, tirando a coroa da Comcast.
Mas, segundo Erik Brannon, analista da IHS, “isso deve levar entre sete e nove anos. Leva tempo para atingir esse nível de penetração no mercado, mas não é impensável que a AT&T capture uma fatia de 37% ou 38%.”
A Time Warner Cable está em processo de compra da Comcast por US$ 42 bilhões, num acordo que está sendo avaliado pelos órganismos reguladores de mercado.
Nesta segunda-feira, 19/05, a AT&T e a DirecTV vão promover um webcast para discutir o acordo no horário das 09h30 (horário de Brasília).




