Governo de Portugal não vai intervir na fusão Oi/Portugal Telecom
O governo português de centro-direita não vai interferir no processo de fusão entre a brasileira Oi e a Portugal Telecom, que é uma questão estrita entre empresas privadas, disse o primeiro-ministro de Portugal, Pedro Passos Coelho. Analistas têm alertado que as incertezas sobre a concretização da fusão entre as duas companhias de telecomunicações aumentaram após a recente saída do presidente-executivo da Oi, Zeinal Bava, que era considerado o arquiteto da união.
No cargo de CEO, Bayard Gontijo disse à imprensa que a fusão Oi e Portugal Telecom não terá mudanças de rumo. Ele afirmou ainda que a tele terá papel de protagonista no processo de consolidação do mercado brasileiro de telecomunicações, o executivo disse que, para viabilizar essa consolidação, a empresa talvez tenha “que passar por venda de ativos da Oi e dos ativos que vieram junto”, em menção aos ativos da Portugal Telecom. Também falou da contratação do BTG Pactual para avaliação de ações no mercado.
Em Portugal, o primeiro-ministro, Pedro Coelho, lembrou que foi um governo socialista que decidiu a fusão da Portugal Telecom com a Oi. Também destacou que “o Estado não é acionista da Portugal Telecom, o Estado não detém uma ‘golden-share’, o Estado não intervém neste processo”. Segundo ainda o primeiro-ministro, “o governo não tem nenhuma intervenção nesse processo, como não tem em outras empresas, e não se pode querer responsabilizar o governo pelas decisões que as empresas privadas tomam”.
O Estado português deixou de ter uma “golden-share” na Portugal Telecom em julho de 2011, como uma das exigências da ‘troika’ do resgate do país e que foi executada no mandato do atual governo de centro-direita. Passos Coelho frisou que o Novo Banco — instituição que ficou com os ativos não-tóxicos do antigo Banco Espírito Santo — é que é dono de 10 por cento do capital da Portugal Telecom.
“Qualquer decisão que o Novo Banco tenha tomado sobre a questão da fusão da Portugal Telecom com a Oi não é reportável ao governo. O governo não é acionista do Novo Banco”, disse o primeiro-ministro.Ele salientou que o dono do Novo Banco é o Fundo de Resolução, que é detido pelos bancos do sistema financeiro português e não pelo Estado. As ações da Portugal Telecom chegaram a cair 13% nesta sexta-feira, 10/10, atingindo sua mínima histórica, arrastadas pela forte queda da brasileira Oi na véspera.




