Para Bechara, da Anatel, inclusão de 100 milhões de brasileiros deve ser prioridade

jul 1, 2015 by

Para Bechara, da Anatel, inclusão de 100 milhões de brasileiros deve ser prioridade

Deputados e palestrantes divergem sobre a validação do programa Internet.org, programa do Facebook que deve ser implantado no Brasil, mas que é alvo de muitas críticas das organizações sociais. E não se chegou a uma conclusão após debate em audiência pública na Câmara dos Deputados nesta terça-feira, 30, ampliar os debates para o Congresso. De acordo com o vice-presidente da Anatel, Marcelo Bechara, o país deve ter obsessão em levar a internet a 100 milhões de brasileiros que estão excluídos, independentemente do tipo de acesso. “A preocupação do país deve ser de como se inserir na economia digital e não discutir modelos de negócios”, disse.

Bechara disse que o objetivo do Facebook com o programa é ganhar dinheiro por meio da ampliação da sua base. “Não há nada de errado nisso, só acho que o governo pode exigir que o Facebook ou o Google contribuam decisivamente na ampliação da capacidade de inovação no país para que possamos desenvolver aqui o nosso Facebook”, disse. O conselheiro disse que não adianta discutir se o programa irá trazer a internet de pobre, mas pensar que tem gente que sequer tem acesso à web. “E isso sim é grave”, ressaltou.

O vice-presidente da Anatel disse que, apesar de a agência não ter ainda uma posição formal sobre a neutralidade da rede, pessoalmente considera que os modelos “zero rating” não ferem esse princípio. “Desde que as instituições sejam sólidas, que o Judiciário possa responder, assim como a defesa do consumidor, os procons e o Ministério da Justiça, o Cade, a própria Anatel e o Ministério das Comunicações e o Congresso Nacional”, ressaltou. Bechara disse que discutir o modelo de negócios é perda de tempo.

A representante do Comitê Gestor da Internet do Brasil (CGI.br), Flávia Lefèvre, disse que nos 15 países onde o Inernet.org foi implantado há muitas críticas. Ela sustenta que o Marco Civil da Internet colocou a acesso à internet como um serviço essencial e que isso gera consequências para o governo, que precisa garantir a expansão do uso da internet e a otimização da infraestrutura. “A justificativa para um projeto como esse, que oferta internet restrita à rede social, é a deficiência de infraestrutura, porém mas parece uma nova forma de colonialismo do mundo moderno”, disse.

A representante do Centro de Estudos Barão de Itararé, Renata Mièle, por sua vez, disse que o Internet.org só amplia a oferta de serviço onde há infraestrutura. Mas o gerente de Relações Governamentais do Facebook, Bruno Magrini, disse que a empresa pensa em usar veículos não tripulados (vant) para levar onde a conectividade onde não há infraestrutura. Porém, tradicionalmente, a empresa oferece seu produto por meio de parcerias com operadoras móveis. “Nós mostramos os benefícios da conectividade, para que essas pessoas venham a ser usuários da internet”, disse.

A representante da Intervozes, Veridiana Alimonti, vê gerenciamento de técnico com o programa Internet.org ao restringir o uso à rede social, o que fere a neutralidade da rede. O diretor do SindiTelebrasil, Alexander Castro, rebate afirmando que questões comerciais e concorrenciais não se confundem com neutralidade da rede. E o diretor da Brasscom, Sérgio Sgobbi, afirma que a neutralidade deve coexistir com iniciativas de ampliação de acessos, novos modelos de negócios que estimulem o uso da rede.

A diretora do Departamento de Serviços e de Universalização das Telecomunicações, do Ministério das Comunicações, Miriam Wimmer, afirmou que o governo não assinou acordo com o Facebook. E que um grupo de trabalho, formado pelos Ministérios da Comunicação, da Justiça e da Ciência e Tecnologia, está avaliando o projeto e sua adequação à legislação brasileira. Ela disse que o mesmo projeto está funcionando em outros países, mas admite que podem existir riscos associados a esse modelo, como a fragmentação da internet dos ricos e dos pobres, se as pessoas que usam esse modelo se limitam ao universo do “zero rating”.

O representante do Ministério da Justiça, Marcelo Chilvarquer, além de frisar que não há um acordo formalizado entre governo e Facebook, disse que o programa deve respeitar também a legislação de defesa do consumidor.

Teletime, Terça-feira, 30 de junho de 2015 

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