Disputas políticas afetam planos da 4G na AL
Os impasses regulatórios e os interesses divergentes de setores como o de telecom e a radiodifusão, travam a evolução da 3G para o LTE na América Latina, assume o diretor da 3G Americas, Erasmo Rojas. No Brasil, um exemplo, é a indefinição da Anatel em relação ao uso da faixa de 2,5GHz – há um embate entre as operadoras móveis e as provedoras de serviços MMDS, atuais usuárias do espectro.
“Não há alternativa, para se ter banda larga com qualidade é preciso frequência. Na América Latina, vários países estão definindo o melhor uso do espectro, mas há muitos interesses divergentes. A intenção de atrair novos competidores, por exemplo, não nos parece, neste momento, o ideal”, observou Erasmo Rojas, diretor da 3G Americas, que está na capital paulista.
Para ele, as operadoras móveis precisam de espectro para oferecer mais serviços. No caso da banda larga móvel – que já é dominante no Chile e ainda no primeiro semestre deverá ser também no Brasil – para se ter um melhor serviço, é preciso frequência. Nessa linha, Rojas acredita que há ações de curto prazo que podem ser implementadas pela Anatel. Entre elas, abrir a Banda H, que está destinada para novos entrantes, no caso, em especial, para a Nextel, aos atuais provedores de serviços.
“É fato que as operadoras estão com o ARPU(receita por usuário) cada vez menor e, em contrapartida, há um incremento nos aportes para infraestrutura. As teles têm rede, mas precisam de backhaul para suportar essa demanda nova. No Brasil, há sobra de frequência no SMP – 1,8 GHz – e a própria banda H. Isso já melhoraria, muito, a performance das teles”, destaca.
O diretor para Caribe e América Latina da 3G Americas, no entanto, adverte: Não é possível pensar no uso da faixa de 2,5GHz para cobertura nacional num país como o Brasil. “A faixa tem cobertura restrita. Ela é voltada para grandes centros urbanos. Não há como exigir cobertura nacional. Quanto mais alta a frequência, maior o custo da sua implantação”, observa.
Neste ponto, Rojas defende um maior uso de pontos Wi-Fi – o Brasil tem poucos, em relação à média mundial – pouco menos de 5000 pontos, segundo dados do portal Teleco – e a regulamentação do uso das Femtocells, as Estações de Base para serem instaladas nas casas e escritórios para redução do uso do backhaul das teles.
“É fato que a banda larga móvel não está sendo usada apenas na mobiliadade. Ela é utilizada como um substituto à rede fixa. As pessas querem uma mobilidade restrita, nas suas casas e escritórios. Isso exige investimento e frequência para um bom serviço”, adianta. As femtocells, no Brasil, precisam ainda de regulamentação a ser feita pela Anatel.
Rojas acredita que o LTE, a 4G, estará presente nas cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, mas em caráter emergencial, de forma a dar condições de comunicação à imprensa que vem cobrir o evento. E não para ficar para os brasileiros.
“Não vejo o LTE no Brasil comercial até lá. Vejo, sim, uma evolução das redes das operadoras para o HSPA+. Essa evolução já permitirá um melhor fluxo dos dados, mesmo que os consumidores não tenham os modems 3G e terminais adaptados à nova tecnologia”,completa.




