Mercado de aparelhos mira em smartphones de baixo custo
Em que pese a badalação sobre os lançamentos anuais das novas versões de aparelhos topo de linha, o mercado de equipamentos parece mirar em celulares mais baratos. Projeções da consultoria de TI e Telecom Ovum sugerem que os aparelhos abaixo de US$ 100 – portanto, de R$ 300 ou menos – vão ficar com 40% das vendas até 2020.
Segundo um relatório sobre o segmento de ‘handsets interativos móveis’, essa tendência já começou. “O estudo revelou um declínio acentuado nos preços dos smartphones: entre o quarto trimestre de 2013 e o quarto trimestre de 2014, a mediana de preços de pré-pagos e smartphones ‘sem chip’ (representando 56% de todas as ofertas de operadoras do mundo) caiu 28%, de US$ 360 (R$ 1,1 mil) para US$ 258 (R$ 799).”
O importante aqui, de acordo com o estudo, é que “esse declínio é largamente atribuído a uma mudança estrutural em direção a modelos ‘low-end’ de smartphones, mais do que a quedas de preços em segmentos particulares”. Parte disso, acredita a Ovum, se deve à identificação de mais de 40 fabricantes nesse segmento, tido como “o mais diverso e competitivo” do mercado de aparelhos portáteis.
Assim, no geral a consultoria prevê que as vendas passarão de 1,88 bilhão de unidades em 2014 para 2,16 bilhões em 2020 – um crescimento anual de 2,4%. Junto ao crescimento geral, o mercado, como já se vê no Brasil, por exemplo, vai sendo dominado por equipamentos ‘interativos’, ou seja, para smartphones, que representarão 95% das vendas totais, contra 65% em 2014 (isso globalmente, no Brasil a proporção de smartphones já é de 95%).
A venda de mais de 2 bilhões de unidades de smartphones em um ano, como previsto para 2020, será puxada pela África e Oriente Médio e América Latina – onde as taxas de crescimento anuais previstas são de 17% e 11%, respectivamente – passando de 254 milhões (2014) para 576 milhões de unidades vendidas (2020).
Países como Índia e Indonésia – com altas previstas de 19,7% e 16,3% ao ano ainda puxam mais fortemente a demanda na Ásia/Pacífico, ainda que o mercado chinês esteja alcançando, segundo a Ovum, alguma saturação – o crescimento anual de vendas de hansets na China até 2020 é estimado em 4,1%. Ainda assim, o dobro do previsto para os mercados ricos dos EUA e Europa Ocidental (2%).
Ainda que identifique uma mudança estrutural em direção a aparelhos de custo mais baixo, o estudo acredita que a participação dos sistemas operacionais deve se manter praticamente idêntica – com Android em 80% dos aparelhos, iOS em 14% e Windows em 4,2% em 2020.
Luís Osvaldo Grossmann, Convergência Digital, Terça-feira, 21 de Julho de 2015




