Usuários criam a própria rede para ter serviço celular no interior do país

set 20, 2015 by

Fora dos grandes centros do país, a oferta de serviços celular é restrita ou inexiste. Tanto é assim que em áreas rurais ou distantes das sedes municipais, são os usuários que investem em soluções de rede próprias.

“Cerca de dois milhões de usuários do SMP só conseguem acessar as redes através da utilização de antenas externas, reforçadores de celular em áreas onde, no planejamento da operadora móvel, nem haveria cobertura. O usuário faz investimento em sua própria rede”, revelou Eduardo Neger, ao tratar de ‘usos e soluções para a área rural’ em seminário promovido pela Anatel, nesta sexta, 18/9.

A Neger Telecom, empresa do executivo, é uma das fornecedoras desse tipo de solução, mas não a única, já que ele mesmo calcula existirem meio milhão de conjuntos de equipamentos reforçadores já instalados no Brasil. “Antenas de celular rural estão facilmente disponíveis no mercado, ou soluções que usam espectro não licenciado de provedor local. O custo é baixo, é acessível”, afirmou.

Com uma busca rápida na internet é possível encontrar kits amplificadores ou repetidores de sinal tão diversos que são oferecidos por R$ 200 a mais de R$ 5 mil. Mas mesmo esses não são as únicas soluções de cobertura para áreas remotas do país. O diretor da Hughes Brasil, Sérgio Maia, lembrou no mesmo evento que a oferta de internet via satélite vai aumentar no futuro próximo.

“As operadoras preveem lançamentos de satélites com banda Ka, que passa a ser a grande novidade de 2016 em diante. O apelo é a penetração em áreas de difícil acesso. Até porque sempre vai ter áreas em um país do tamanho do Brasil onde a fibra não vai chegar ou, se chegar, vai demorar muito. Hoje, a tecnologia que era para backbone e backhaul está chegando ao nível de usuário”, afirmou.

Mas se as antenas já garantem desempenho melhor, “temos uma deficiência de espectro licenciado, de banda, para atender a demanda que está surgindo”, admitiu. Além disso, a popularização desse tipo de acesso espera se beneficiar da isenção de Fistel, mas a medida segue pendente de regulamentação pelo governo federal. “A transposição dessa barreira vai levar a um preço muito mais acessível que torna o acesso de satélite factível”, avaliou.

Luís Osvaldo Grossmann, Convergência Digital, Sexta-feira, 18 de Setembro de 2015

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