Brasil tem um de cada quatro celulares bloqueados por roubo no mundo
Nos próximos 30 dias as operadoras móveis vão estrear um novo sistema de bloqueio de celulares roubados ou furtados. Além de mudanças operacionais para garantir maior agilidade e atualização do cadastro, a mais importante para as vítimas é que não será mais necessário saber o IMEI do aparelho – o código internacional que identifica cada celular no planeta.
“Ainda tem dificuldade grande de registrar, porque tem que saber o IMEI, o que é um tremendo complicador para os usuários. Também não existia mecanismo para tratar grandes volumes, como uma loja ou carga roubada. E o próprio sistema, pela maneira distribuída de cadastro, gerava desatualizações. Então, às vezes, se levasse celular de uma operadora para outra, possibilitava que ele continuasse a ser utilizado”, diz o superintendente de Planejamento e Regulamentação da Anatel, José Alexandre Bicalho.
As estatísticas são esparsas, visto que nem todos os estados diferenciam o registro específico sobre furtos e roubos de celulares. Dados de São Paulo indicam que no ano passado esse crime específico cresceu 149,5% – e que de cada cinco objetos roubados no estado, um era um celular. Números mais recentes, da cidade do Rio de Janeiro, indicam que lá o roubo de celular cresceu 76% entre janeiro e março deste ano (foram 1,6 mil casos).
Um razoável indicador do tamanho do problema está nos 5.525.367 de aparelhos registrados no Cadastro de Estações Móveis Impedidas, Cemi, em que pese as dificuldades enumeradas pelo superintendente da Anatel. O número, de junho deste ano, é representativo diante do total mundial de aparelhos bloqueados por roubos e furtos, que segundo a GSMA é de 21.541.285. Ou seja, mais de um em cada quatro aparelhos impedidos de funcionar no mundo é do Brasil.
Responsável pelo debate do problema em audiência da Comissão de Defesa do Consumidor na Câmara, nesta quarta, 5/8, o deputado Áureo Ribeiro (SD-RJ) destaca para uma evidente subnotificação dos casos. “Só em São Paulo tem 5 milhões de aparelhos roubados. Então temos um problema se o cadastro de todo o país está em quase 6 milhões de celulares bloqueados. Por que tanta dificuldade para alguém fazer o registro”, destaca.
Segundo Bicalho, as tratativas com as operadoras e com a ABR Telecom (responsável pelo CEMI) foram no sentido de que a partir do final de agosto, ou início de setembro já será possível bloquear um celular sem necessidade de apresentar o IMEI (espécie de número de série que fica no chassi dos aparelhos). “A vítima vai apenas vai informar o número e a hora aproximada de quando o celular foi roubado”, diz José Bicalho.
Segundo a Anatel, apenas uma das operadoras ainda precisa implantar as mudanças – daí o prazo até setembro. Será possível o registro dos mencionados grandes volumes, além de ser viabilizada uma interface de registro por órgãos de segurança pública, facilidades que devem ser habilitadas até o fim do ano. “A dificuldade no bloqueio por terceiros é que se o usuário encontrar o aparelho, se não for furto, mas extravio, ele possa voltar a funcionar”, explica Bicalho.
Luís Osvaldo Grossmann, Convergência Digital, Quarta-feira, 05 de Agosto de 2015




