Brasileiros estão entre os que mais pirateiam músicas no mundo

fev 1, 2011 by

Internautas de Espanha e Brasil estão praticamente empatados nesse índice; para reverter situação, indústria confia nos serviços de assinatura.A Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI, na sigla em inglês) divulgou na semana passada os números do comércio global de músicas em 2010. A conclusão, nada animadora para eles, é que mesmo as vendas em formato digital estão desacelerando. Mais uma vez, elegeram a pirataria como principal responsável pelo resultado.

Segundo a IFPI, as vendas online de músicas no ano passado foram onze vezes maiores que as de 2004. No entanto, tal crescimento tem diminuído drasticamente. Em 2008, ficou em 25%, em 2009 desceu para 12% e, em 2010, chegou a 6%. Ainda assim, no último ano, o formato digital representou 29% do setor – seu maior índice na história – ante 25% do período anterior. Ou seja, as vendas como um todo estão caindo.

 

O Brasil se destaca dentre os países onde o download ilegal de músicas é mais popular. Está em segundo – 44% dos usuários do país baixam conteúdo protegido pelo menos uma vez por mês – atrás da Espanha (45%). A situação é crítica, diz a IFPI, mesmo em regiões em que tal prática não costuma ser tão difundida. No Reino Unido, por exemplo, 76% das músicas foram obtidas a partir de serviços que não respeitam direitos autorais, de acordo com pesquisa da Harris Interactive.

 

“Estamos sendo desafiados”, afirmou o diretor executivo, Frances Moore. “Por volta de 95% do conteúdo protegido é roubado”. A Federação cita estudo da Universidade de Uppsala, na Suécia, cuja conclusão estima que, se não fosse a pirataria, as vendas de mídia física e de música digital estariam, respectivamente, 72% e 131% maiores.

 

Embora analistas afirmem que os artistas estão lucrando mais com shows, em parte devido à facilidade com que o conteúdo é distribuído pela Internet, a IFPI revelou que em 2010 a renda das 50 principais turnês – como Lady Gaga, AC/DC e U2 – sofreu queda de 12% se comparada ao ano anterior.

 

Futuro

A nova aposta da Indústria Fonográfica está nos serviços de assinatura – principalmente aqueles criados em parcerias de provedores com operadoras de celular. O relatório da IFPI afirma que mais de 750 mil pessoas na Europa pagam por um modelo do tipo da Spotify (streaming ilimitado), e 600 mil fazem o mesmo com o da Vodafone. Na França, 13% dos internautas usam o Deezer, site de streaming.

 

“Ainda há tempo para agir antes que as indústrias criativas sofram perdas catastróficas, mas nosso medo é quanto ao pouco que se foi feito até agora e à pouca disposição dos governos para responder aos que associam roubo à liberdade. Pensamos que os provedores deveriam se empenhar na luta contra a pirataria”, defendeu Brendan Barber, secretário geral de comércio do congresso britânico.

 

A confiança da IFPI está no alto potencial que a comercialização online de músicas ainda tem. Para avalizar tal esperança, ela revela dados como o índice de usuários que compram canções pela Internet nos Estados Unidos, apenas 16,5%, e na Inglaterra, só 14%.

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