Classe C digital é o novo desafio para as operadoras

ago 12, 2011 by

O alto poder de compra da classe C firmado nos últimos anos agora está sendo reconhecido também no mercado de telecomunicações, historicamente focado nas classes A e B mais aptas a pagarem os altos custos dos serviços. Esta nova parcela do mercado, denominado por especialistas de nova classe média digital, tornou-se um verdadeiro desafio para às operadoras de TV por assinatura e banda larga que precisam adaptar os seus serviços a esta nova realidade de consumo: um público que exige qualidade, quantidade e bons preços.

Para se ter uma ideia em 2010, estes novos internautas foram responsáveis por uma renda total de R$ 378 bilhões. Atualmente, já existem computadores em cerca de 66% dos lares da classe C, destes 56% têm acesso à internet. Com isto, observa-se um fenômeno da popularização da banda larga também nas classes C, D e E que juntas correspondem a 55% do mercado.

Renato Meirelles, presidente do Instituto Data Popular, chamou a atenção para o fato de que a classe C representa 53,9% da população brasileira e isto já é naturalmente percebido numa espécie de domínio crescente no consumo de telecomunicações que vem sendo exercido pela juventude desta classe. O aumento do acesso à educação e do nível de escolaridade também justifica a compra destas tecnologias nos lares da classe C. “Na classe C, 68% dos jovens estudaram mais do que os seus pais, contra 10% na classe A”, disse Meirelles.

Por conta do acesso aos pacotes de banda larga a classe média começa a ter a primeira experiência com outros serviços, até então extremamente elitizados, como a TV por assinatura. De acordo com estudo do Instituto Data Popular, enquanto a banda larga expandiu 9,4 vezes e a TV paga cresceu 2,6 vezes no período de 2003 a 2010, na telefonia fixa não houve nenhum aumento.

Mas, apesar do crescimento, ainda  é baixa a penetração da TV por assinatura na classe C, somente 24%. Para a presidente da Viacabo, Silvia Jesus, d um dos maiores desafios em expandir o serviço é justamente a fidelização deste público. “Eles são menos fiéis. Fazem mais conta”.

Para Meirelles isso mostra como as grandes operadoras precisam prestar mais atenção a esta enorme parcela do mercado que se encontra no limiar entre ter poder de compra e não possuir reserva extra, mas que já representa de longe a grande oportunidade do setor. Mas, reconhece que esta classe exige um tratamento de qualidade diferenciado, principalmente porque está entendendo como funciona esses novos serviços agora, quando a economia do país lhe permitiu ter acesso. “A parte de suporte e atendimento local pode ser um grande fator de fidelização para a classe média digital”, argumentou Jesus.

Em regiões como o Nordeste, por exemplo, a classe C apresenta uma taxa de crescimento de 50%, e se concentra em áreas urbanas não-metropolitanas. “É preciso entender que esta é uma classe volátil e é necessário ajustar a sua estrutura de custo a isso”. Afirmou Meirelles.

Artigos relacionados

Tags

Compartilhe

Comente

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *