Conectar os ‘desconectados’ gera mercado estimado em US$ 2,3 trilhões
Um relatório divulgado nesta segunda-feira, 18/01, pelo Fórum Econômico Mundial sustenta que o primeiro catalisador para a redução das diferenças de conectividade é o crescimento acelerado da telefonia móvel em economias emergentes. Forte competição, preços acessíveis, regulação liberal e inovação se conjugam para criar um ecossistema vibrante.Não é por menos que as economias emergentes representem, atualmente, 80% dos assinantes de celulares, a maioria deles de baixa renda. Brasil, Índia, África e China responderam, juntos, por mais de 300 milhões de novos assinantes nos últimos 12 meses. Em todo o mundo, 4 bilhões de pessoas já são “conectadas”. E o Fórum reconhece o papel fundamental das tarifas pré-pagas para a disseminação das telecomunicações entre os pobres, por permitirem soluções que cabem em cada bolso.
Mas se o relatório reconhece o impacto social e econômico do uso disseminado de celulares – com cerca de dois milhões de novos assinantes por dia – também defende que a evolução das comunicações se mantenha economicamente sustentável, inovadora e, especialmente, que ajude a inclusão social. Mais do que isso, entende que é preciso soluções sob medida para os mais pobres para conectar os desconectados.
“Apesar da adoção de comunicações móveis em economias emergentes ter mostrado impacto econômico relevante, isso não é suficiente. Amplo acesso à internet pode resultar em resultados ainda maiores”, sustenta o relatório do Fórum Econômico Mundial. Com menos de 10% dos habitantes de economias emergentes tendo acesso à rede, bem abaixo da média mundial de 23%, há grandes oportunidades.
“Estima-se que os ‘próximos bilhões’ representem aproximadamente US$ 2,3 trilhões em gastos anuais graças a descoberta desses usuários como produtores, consumidores e empreendedores”, diz o relatório.
A análise, porém, ressalta que apesar do grande progresso em acessos a serviços de voz e dados, ainda há muitas incertezas na disseminação do acessso à internet em banda larga, desde o analfabetismo ao pouco conteúdo local, além de custos operacionais flutuantes e de capacidade limitada de backhaul.
A conclusão do Fórum Econômico Mundial é que a oferta dos serviços deve ser adequada à demanda. “Em regiões rurais ou remotas, uma abordagem interessante é a de conexão ocasional. Embora não se trate tecnicamente de uma solução banda larga, conexões intermitentes podem representar uma solução flexível”.
A questão em regiões densamente povoadas, porém, começa pela disponibilidade de espectro em face do volume crescente de tráfego e dados. “As operadoras vão precisar gerenciar com mais eficiência o uso do espectro, assim como otimizar suas redes”, sustenta o relatório, que também defende que “os governos terão que acelerar o ritmo de alocação de espectro para que soluções acessíveis de banda larga móvel continuem crescendo”.
Nesse sentido, o Fórum Econômico Mundial entende que essa alocação de frequências seja coordenada de forma local, regional e global, tendo em vista a economia de escala. “Se bandas múltiplas de espectro forem alocadas em diferentes países de forma não harmonizada, o custo unitário dos equipamentos vai aumentar”.
O Fórum acredita, ainda, que o papel dos governos vai além da regulação – eles são importantes até para a criação da demanda pelo serviço, especialmente através do estímulo que podem representar os instrumentos de governo eletrônico, saúde e serviços sociais.
Mas embora ressalte a importância das conexões móveis, o relatório lembra que há diferenças fundamentais com o acesso fixo à internet – em especial, porque no acesso fixo as aplicações geralmente funcionam independentemente do equipamento ou do provedor de conexão.
A internet móvel sofre com vários padrões nacionais e regionais, além de incompatibilidades técnicas. “Consequentemente, a relativa facilidade com que um indivíduo pode criar e partilhar informações globalmente na internet com fio ainda não é possível nas plataformas móveis”, conclui o relatório.




