Consumidores em países Bric estão mais dispostos a pagar por conteúdo online

set 15, 2011 by

Mercados emergentes também registram melhor aceitação por propaganda, segundo pesquisa da KPMG

Enquanto nos países do G7, grupo das sete maiores economias do mundo, apenas 22% dos consumidores afirma que pagaria por conteúdo móvel ou online, nos países emergentes do Bric (sigla para Brasil, Rússia, Índia e China), esse porcentual salta para 57%. Essa é a curiosa conclusão da pesquisa “Consumers and Convergence” da consultoria KPMG, que entrevistou 5.627 consumidores em 22 países sobre tendências nos mercados de mídia, tecnologia e telecomunicações, 300 deles no Brasil.

Para Manuel Fernandes, sócio da KPMG no Brasil, o maior poder de consumo dos consumidores com acesso às tecnologias móveis e de internet nos mercados emergentes, além das limitações de acesso a conteúdo nesses países explicam esse fenômeno. “O acesso a conteúdo nos países do G7 é muito mais amplo”, afirmou o executivo durante a Futurecom 2011, em São Paulo, nesta quarta-feira (14). “Nos Brics, o consumidor pode pagar se vir um custo benefício maior”.

Segundo Fernandes, conteúdos como games, vídeos e música são considerados de maior valor agregado pelo consumidor dos Brics, que também está mais propenso que o consumidor do G7 a pagar por conteúdo como notícias e informações, apesar da percepção vigente desse conteúdo como gratuito. O estudo da KPMG também mostra que, nos mercados emergentes, as pessoas estão mais dispostas a trocar de provedor de internet para ter acesso a conteúdo exclusivo.

Por outro lado, o consumidor dos Brics também demonstrou uma maior aceitação por propaganda, como contrapartida por receber um conteúdo gratuitamente, ou mais barato, tanto no navegador (61% ante 49% no G7) como em aplicativos de smartphone (50% contra 30% nos países mais ricos). “Mesmo assim, as pessoas aceitam melhor a propaganda customizada, direcionada exclusivamente para ele. Daí a importância das redes sociais”, lembrou Fernandes.

Apesar disso, 71% dos entrevistados em países emergentes afirmam estar “muito preocupados” com sua privacidade na rede. “A propaganda personalizada vale uma fortuna. As pessoas não tem a percepção de que são os seus dados pessoais que pagam pelos conteúdos gratuitos”, disse o executivo da KPMG.

A pesquisa afirma ainda que, apesar da infraestrutura de telecomunicações pouco confiável, Brasil, Rússia, Índia e China são tradicionalmente considerados líderes na adoção da telefonia móvel, e embora o uso da telefonia fixa ainda seja forte nesses países, seus consumidores também estão mais propensos que usuários de países ricos a abandonar o serviço inteiramente em favor dos celulares.

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