Déficit da indústria de telecom deve chegar a R$ 33 bi em 2011
Reduzida a mera montadora de aparelhos, a indústria de equipamentos de telecom vem acumulando déficits seguidos nos últimos anos. Enquanto nos países desenvolvidos a indústria eletroeletrônica chega a 12% do PIB, no Brasil não passa dos 4%. O Plano Brasil Maior lançado recentemente pelo governo sinaliza de maneira auspiciosa, mas é preciso medidas específicas que proporcionem uma perspectiva de mais longo prazo ao setor.
A cobrança foi feita pelo presidente do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, Francis Bogossian, na abertura do Seminário O Futuro das Telecomunicações no Brasil, dia 12 de agosto, no Rio. Bogossian enumerou várias medidas de apoio à indústria de telecom como: o estabelecimento de regras para que as operadoras desenvolvam no país programas de pesquisa e desenvolvimento voltados às necessidades da sociedade brasileira; descontigenciamento do Fust e do Funttel com aplicação dos recursos nas finalidades para as quais eles foram criados; contratação pelo governo de projetos de TICs para áreas de saúde, educação, segurança, previdência, de modo a garantir encomendas.
O gerente de TIC do BNDES, André Fischler, destacou o fato de que o Brasil é hoje a bola da vez graças ao seu mercado interno. Por isso a política de assegurar privilégios aos equipamentos de fabricação nacional, com agregação de valor, pode ser o grande diferencial. “Precisamos romper o círculo de ser apenas montadoras, e identificar as principais rotas tecnológicas onde haja mais possibilidades”, disse ele citando a fabricação de semicondutores e chips.
Para o presidente da Trópico/Consórcio Gente, Jacques Benain, a empresa é um exemplo de sobrevivência depois de enfrentar inúmeras turbulências desde a privatização do Sistema Telebrás. Benain tem uma visão otimista do futuro da indústria de telecom no país a partir do apoio do BNDES e da decisão do governo de privilegiar a indústria nacional no Plano Nacional de Banda Larga. Para ele, é fundamental que sejam definidas margens de preferência; que haja investimento no capital das empresas e uma política ampla de incentivo à criação de softwares, dentre outras medidas.
O presidente do SindTelebrasil, Eduardo Levy, comparou a realidade da indústria de telecom nos anos 70 e 80, quando havia praticamente um só comprador, o Sistema Telebrás, e a partir da década de 90, quando a base industrial passou a ser ameaçada pelo alto Custo Brasil. Segundo Levy, o Brasil tem hoje 42 milhões de telefones fixos, 217 milhões de celulares e 44 milhões de acesso a internet – 16 milhões em fixa e 28 milhões em móvel. A cada segundo, um telefone celular é ativado. Apesar disso, as dificuldades encontradas pelas operadoras são enormes, disse ele, citando as diferentes legislações municipais para a implantação de estações radio base por exemplo. Levy defendeu o investimento na produção de software, seguindo uma tendência internacional. Para ele, é necessário procurar equilíbrio na balança comercial, gerar empregos mais qualificados e garantir a propriedade intelectual.




