Facebook abre conversa online com operadoras para oferta do Internet.org

jul 28, 2015 by

Enquanto festeja um ano de lançamento do Internet.org, o Facebook tenta conquistar novas operadoras parceiras para ir além dos 17 países onde a plataforma de acesso gratuito já está disponível. Nesse esforço, o site do Internet.org agora tem um espaço para conversas online com as empresas interessadas.

O maior apelo, no entanto, está na promessa de que o acesso gratuito é um chamariz que rapidamente leva à contratação de planos pagos de conexão móvel. “Internet.org traz novos usuários às redes móveis em média 50% mais rapidamente depois do lançamento de serviços básicos gratuitos, e mais da metade das pessoas que ficam online pelo Internet.org estão pagando por dados e acessando a internet nos primeiros 30 dias”, sustenta o Facebook.

À Reuters, o vice presidente de produtos do Internet.org Chris Daniels defendeu que “essa é uma verdadeira ferramenta de aquisição de clientes para operadoras móveis onde o benefício de oferecerem uma quantidade muito leve de dados grátis é trazer mais assinantes pagos para suas redes”. Segundo ele, 9 milhões de pessoas passaram a usar a plataforma nos 12 meses desde que foi lançada.

No Brasil, o Facebook está promovendo ‘hackatons’ para incentivar aplicativos nacionais a se adaptarem ao Internet.org – em essência, funcionando com uma “quantidade muito leve de dados” – mas ainda não há acordo com as operadoras móveis. Por aqui, a dúvida é se esse tipo de conexão gratuita – taxa zero, ou zero rating – na qual o acesso a certos conteúdos não consome da franquia de dados, será considerada legal com a regulamentação do Marco Civil da Internet.

Luís Osvaldo Grossmann, Convergência Digital, Segunda-feira, 27 de Julho de 2015

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  1. Flávio Mosafi

    Acredito que o internet.org ou zero rating, como queiram chamar, deve ser debatido sobre duas óticas: técnica; e comercial. O cidadão, excluído digitalmente, não quer saber se o internet.org fere o princípio do neutralidade.

    O entendimento deles é bem simples: Se o Estado não resolve o problema da inclusão digital, porque iremos rejeitar uma proposta de uma entidade, seja qual for, que tem os recursos necessários para prover acesso a internet “sem custo”. O problema é que eles não atentam para os riscos, em longo prazo, que esta jogada maquiavélica pode trazer para o mercado.

    A meu juízo, o que deve ser debatido como o Estado, é como eles irão suprir essa demanda reprimida da inclusão digital, uma vez que o Marco Civil da Internet – lei 12.965/14 – afirma que o acesso a internet é um direito de todos – artigo 4º;inciso I.

    Agora, se o Estado encara o Internet.org como uma “concessão” que não seja feita de forma irresponsável, sem pensar nos danos que esse projeto pode causar aos fornecedores que ficarem de fora do Internet.org.

    Tem uma questão que venho meditando faz tempo: O Telecentro não tem a mesma finalidade do Internet.org, dadas as suas proporcionalidades? Pois bem, o telecentro tem a finalidade de prover as pessoas mais carentes acesso a internet, além capacitação. Já o Internet.org tem a finalidade de prover as pessoas mais carentes acesso a internet. Não é a mesma coisa?

    Portanto acho que o Estado deve tornar os telecentros uma política pública e chamar a iniciativa privada como parceira, para universalizar o uso da internet. Não adianta criar telecentros e deixar largado com máquina que em um (1) ano ficam obsoletas e o responsável não tem condições de arcar com o custo da manutenção.

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