Gastos de usuários finais de TI chegarão a US$ 101,3 bilhões em 2010 no Brasil

set 15, 2010 by

Os gastos dos usuários finais de TI no Brasil vão chegar a US$ 101,3 bilhões em 2010, representando 9,6% do produto interno bruto (PIB) do país, segundo o Gartner Inc. Essa taxa dos gastos de TI com relação ao PIB está acima da média de 6,1% para o Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC). Os gastos com TI no Brasil representam mais que o dobro do que na Rússia e superam os gastos de TI da Índia em 33% (veja tabela abaixo). Agora, o Brasil é a décima maior economia global e o segundo maior mercado de TI entre as economias emergentes, depois da China.


As novas realidades enfrentadas pela indústria de TI foram enfatizadas na abertura do Gartner Symposium/ITxpo, que está sendo realizado até 16 de setembro no Sheraton São Paulo WTC Hotel. Peter Sondergaard, vice-presidente e global head de pesquisas do Gartner, discutiu as principais questões que os líderes de TI enfrentam atualmente.

Como uma porcentagem do PIB, os gastos de TI no Brasil estão crescendo mais rapidamente do que na Rússia, Índia e China, porque TI é difundido entre as organizações de grande porte e empresas de pequeno e médio porte, governo e todos os segmentos de consumo. “Isto é diferente de outros países do BRIC como a Índia, onde os gastos de TI são concentrados primariamente nos serviços de TI, e na China, onde os gastos de TI estão concentrados em grandes projetos do governo central.”

Segundo Sondergaard, o investimento em tecnologia vai permitir que o Brasil atinja sua meta econômica de crescimento sustentável no longo prazo. “Porém, para continuar nesse ritmo de crescimento, o Brasil vai exigir um ambiente legal e regulatório aprimorado, que dê suporte ao uso difundido de TI no setor público,” disse Sondergaard.

“Os esforços para a otimização de custos de TI têm sido bem sucedidos; TI cortou seus próprios custos por meio de um melhor gerenciamento dos ativos, terceirização seletiva, melhor administração dos contratos e dos fornecedores e uma série de outras técnicas,” disse Sondergaard. Porém, para continuar no rumo de melhorar as eficiências de TI e dos negócios, duas coisas precisam acontecer. “Primeiro, TI precisa trabalhar de forma mais eficaz com os líderes de negócio/empresa e com o CFO para otimizar os processos de negócio e os sistemas de TI que dão suporte a eles, em toda a empresa.

Durante os próximos anos, esses esforços de otimização interfuncional serão mais atraentes para as organizações do que o tradicional enfoque de silo, de otimizar funções específicas da empresa e os processos de negócio utilizando sistemas de TI,” disse Sondergaard. “Segundo, a otimização de custos precisa ser desenvolvida e tratada como uma disciplina da empresa, e não uma atividade esporádica (de uma vez só) que é feita somente quando as condições dos negócios sofrem uma virada.”

Embora a economia tenha causado um impacto negativo na indústria de TI em muitos países, os gastos de TI no Brasil estão em um ritmo para atingir um crescimento de 15,7% em 2010. No relatório do Gartner “Análise do mercado emergente: Brasil, 2010 e adiante”, o Gartner analisou o estado atual da indústria de TI no Brasil, assim como o panorama até 2014.

Estimativa de gastos dos usuários finais de TI nos países do BRIC (em bilhões de dólares)

2009 2010 2011 2012 2013
Brasil 88 101 111 120 128
Relação TI/PIB real (%) 8,6 9,6 9,9 10,2 10,3
Rússia 35 37 38 40 43
Relação TI/PIB real (%) 4,1 4,1 4,1 4,2 4,4
Índia 59 67 74 81 89
Relação TI/PIB real (%) 5,3 5,6 5,8 5,9 6,0
China 205 217 228 244 261
Relação TI/PIB real (%) 6,1 5,8 5,6 5,6 5,5
Total BRIC 386 422 452 486 522
Total Relação TI/PIB real BRIC (%) 6,1 6,1 6,1 6,1 6,2

Nota: As estatísticas foram arredondadas.
Nota: Os gastos de TI dos usuários finais incluem telecomunicações.
Fonte: Gartner (Setembro de 2010)

Segundo Luis Anavitarte, vice-presidente de pesquisas para mercados emergentes do Gartner, e coautor do relatório, diz que o Brasil é um mercado emergente robusto, e sua economia crescente e sustentável, e a adoção da tecnologia tornam o país um mercado excepcional para os provedores de tecnologia e de serviços que buscam oportunidades de expansão global. “As organizações brasileiras encararam/abraçaram a recessão global como uma oportunidade e olharam para a tecnologia como uma capacitadora chave, que ajudou o país a se recuperar rapidamente e ter um impacto positivo na demanda e no crescimento de TI.”

Incluindo telecomunicações, o Gartner prevê/espera que os gastos dos usuários finais de TI no Brasil deverão crescer durante os próximos quatro anos, e chegar perto dos $134,2 bilhões em 2014. Isto representa uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 7,3% de 2010 até 2014. Espera-se que os mercados de software e serviços de TI atinjam um crescimento de dois dígitos até 2014.

Isso representa uma demanda maior de serviço para os provedores de serviços externos, pois as empresas do Brasil buscam expertise em TI (core expertise), assim como soluções de TI mais sofisticadas e novas tecnologias, tais como nuvem e virtualização. “Os níveis de adoção de TI estão mudando dramaticamente no Brasil, à medida que os compradores amadurecem e os preços ficam mais competitivos.”

O relatório do Gartner “Emerging Market Analysis: IT, Brazil, 2010 and Beyond” está disponível no website da empresa, no endereço http://www.gartner.com/resId=1402221.

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