Hospital quer expandir uso da telemedicina para tratar câncer infantil
O Itaci (Instituto de Tratamento do Câncer Infantil), hospital ligado ao Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, informa que tem apostado em um projeto de acompanhamento remoto dos pacientes, usando recursos de telemedicina.Atualmente o instituto acompanha cerca de 40 crianças com auxílio do projeto, que foi iniciado há mais de uma década em parceria com o Laboratório de Sistemas Integráveis da Escola Politécnica da USP, e com o apoio da Ação Solidária contra o Câncer Infantil; mas a intenção é ampliar o programa. “Acredito que temos condições de acompanhar até 25% das crianças que nos procuram”, afirma Vicente Odone Filho, médico e diretor clínico da instituição.
O projeto envolve o uso de telefone, internet e outros recursos de telecomunicações disponíveis, e empregados na orientação e discussão dos casos com os médicos responsáveis pela continuidade do tratamento da criança em sua cidade. “Nosso objetivo foi estruturar um sistema de atendimento e acompanhamento do tratamento pela internet, que também vem sendo usado no ensino a distância de médicos residentes”, acrescenta.
O principal objetivo é simplificar o acompanhamento dos pacientes, uma vez que tratamentos contra várias formas de câncer infantil têm duração prolongada e pode chegar a dois anos e meio, como no caso da leucemia linfocítica aguda, a mais comum entre as crianças; e boa parte dos pacientes vêm de outros estados.
“30% dos pacientes são de outros estados e mesmo percentual recebeu alguma forma de tratamento prévio. Alguns moram longe de São Paulo, em estados como Rondônia, por exemplo, e para evitar que a família tenha de se mudar para cá, começamos a investir em um programa de orientação médica com telemedicina, que permite discutir os casos e monitorar o paciente à distância”, explica o diretor clínico.
De acordo com esse programa, a criança faz o atendimento inicial, e a primeira fase do tratamento, no hospital, e depois pode voltar para sua cidade, onde será acompanhada no dia a dia por um médico local, sob a supervisão da equipe do Itaci. “A ideia é que ela só tenha de voltar a São Paulo para um exame ou procedimento específico não disponível em sua cidade, como o transplante de medula”, explica o diretor clínico.




