No FISL, Minicom reage à pressão por Lei das Antenas
O secretário executivo do Ministério das Comunicações, Cezar Alvarez, aproveitou a abertura da 13ª edição do Fórum Internacional do Software Livre, realizada nesta quarta-feira, 25/07, em Porto Alegre-RS, para reagir à pressão das operadoras de telefonia móvel que debitam na ausência de uma Lei das Antenas os problemas de qualidade dos serviços – problemas esses que acabaram resultando na suspensão das vendas de novas linhas, de voz e dados, por três grandes empresas do setor.Segundo Alvarez, o governo federal está discutindo com governos municipais – e nesta quarta-feir ele mesmo tratou do tema com a prefeitura da capital gaúcha – de incentivos para melhorias da infraestrutura, mas “sem permitir que o tema das antenas seja demonizado para tratar da pequena qualidade, para falar de forma diplomática, dos serviços de telecomunicações”.
Alvarez apontou a relevância das redes – e do acesso a elas com qualidade – para o desenvolvimento de conteúdos e, naturalmente, do próprio software livre. Afinal, como lembraram vários participantes nesse primeiro dia de encontro, foi a Internet que possibilitou um verdadeiro impulso ao software livre, visto o caráter eminentemente colaborativo – e, portanto, o compartilhamento – dessas ferramentas.
Idealismo, com certeza, mas a ordem é: como ganhar dinheir
O 13º Forum Internacional do Software Livre começou, porém, com um viés claramente mais voltado às oportunidades de negócios. O idealismo não deixou de marcar presença, mas seja na postura dos organizadores, nas palestras técnicas específicas ou nos debates em geral, um ingrediente tornou-se comum: como ganhar dinheiro com software livre.
“Continuamos a fomentar o uso do software livre, mas ampliamos nossa ‘rodada de negócios’. Temos 57 empresas, de 23 cidades de dez estados do país e queremos reforçar que não se trata só de software, mas serviços. Vamos tratar, inclusive, de software embarcado”, diz a organizadora da Rodada de Negócios, Gisele Oliveira.
Para além das 800 horas de programação, as empresas terão oportunidade de negociar diretamente seus serviços, na feira organizada junto ao Fórum. E a perspectiva é de dar cada vez mais espaço para os negócios em software livre – tanto que a Associação Software Livre avalia ser possível dobrar essa fatia do FISL no próximo ano.
“Ao longo desses 13 anos, observamos um crescimento constante da utilização do software livre pela sociedade. Várias empresas, governos e instituições se deram conta que não podem cair no aprisionamento do software proprietário e seus fornecedores. O software livre traz independência”, afirma Sady Jacques, da ASL.
O governo não apenas deu sinal de que apóia essa estratégia “comercial”, mas defendeu o uso da base de dados da administração federal – ou seja, as informações liberadas pela Lei de Acesso à Informação – possam ser usadas como oportunidades de negócios efetivas pelos empreendedores em software livre interessados.
Nesse campo, no entanto, o que ainda não tem resposta é a potencial ressalva do setor privado sobre a utilização de seus dados por terceiros, uma vez que podem alegar terem sido obrigadas a fornecer tais informações ao poder público. “É certamente um tema a ser discutido com o próprio amadurecimento da Lei de Acesso à Informação”, afirma Corinto Meffe, da Secretaria de Logística e TI do Ministério do Planejamento.
O 13º FISL segue até sábado, 28/7, e além das discussões técnicas, o evento terá debates sobre questões que também têm impacto na comunidade de software livre, como a neutralidade de rede, o Marco Civil da Internet e questões sobre patentes e direito de propriedade.




