Derrotar o banditismo social e digital
No início de 2025 o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) produziu uma nota na qual criticava a Meta/Mark Zuckerberg: “sob o pretexto de defender uma suposta liberdade de expressão irrestrita, a Meta anunciou o desligamento de filtros de moderação de conteúdo relacionados a temas sensíveis como imigração e gênero, assim como o enfraquecimento de iniciativas de checagem de fatos, o que contribui para a proliferação de fake news e, consequentemente, reforça conteúdos que promovem a extrema-direita, colocando em risco a democracia, a liberdade de expressão responsável e o próprio tecido social.”
Agora, a jornalista e âncora da TV 247, Sara Goes, informa que houve no Ceará “uma aula prática de como transformar um partido político, leia-se Partido Liberal (PL) em base operacional de uma milícia digital, com benção técnica das big techs”.
Na aula, a Meta e o Google “apresentaram tutoriais práticos sobre como automatizar vídeos, alimentar inteligências artificiais com conteúdo político enviesado, impulsionar mensagens via WhatsApp Business e até gerar podcasts inteiros com voz sintética, tudo isso com foco explícito em mobilização política, ataque a adversários e formação de militância digital”.
E os setores progressistas e de esquerda, o que podem fazer?
Uma das respostas veio do Comitê Gestor da Internet no Brasil. Durante o 15º Fórum da Internet no Brasil (FIB), ocorrido de 26 a 31 de maio, o CGI.br apresentou uma proposta com 10 itens para a regulação das grandes plataformas:
1.Soberania e segurança nacional;
2. Liberdade de expressão, privacidade e direitos humanos;
3. Autodeterminação informacional;
4. Integridade da informação;
5. Inovação e desenvolvimento social;
6. Transparência e prestação de contas;
7. Interoperabilidade e portabilidade;
8. Prevenção de danos e responsabilidade;
9. Proporcionalidade regulatória;
10. Ambiente regulatório e governança multissetorial.
Até o dia 17 de junho, por meio do portal https://dialogos.cgi.br. Todos podem contribuir.
A coordenadora do CGI.br , Renata Mielli, esclarece que o “propósito é ajudar no avanço da regulação de plataformas digitais no país (… ) Nosso entendimento é que esses princípios devem equilibrar o poder das plataformas com a responsabilização por efeitos nocivos causados à sociedade, garantindo transparência, proporcionalidade, respeito à diversidade e aos direitos humanos”.
Para as big techs (basicamente grandes conglomerados norte-americanos) e a extrema-direita não interessa qualquer nível de controle do fluxo de dados. Falam em liberdade como se fosse para todos, mas, na verdade, defendem a liberdade de exploração e lucros exacerbados. Por isso a regulação dessas empresas, elementos chaves do capitalismo atual, é estratégica.
O embate entre a extrema-dreita, representada pelo Partido Liberal e as big techs, e os setores progressistas da sociedade terá seu ápice nas eleições de 2026. Estamos preparados para deter a milícia/banditismo digital?
Instituto Telecom, Terça-feira, 10 de junho de 2025
Marcello Miranda, especialista em Telecom




