Marcelino não aceita mais chibatadas

jun 28, 2022 by

No dia 24/06 foi comemorado o aniversário de nascimento da principal liderança da Revolta da Chibata: João Cândido, o Almirante Negro. A Revolta, considerada um levante contra a desigualdade social e racial existente tanto na Marinha como na sociedade brasileira, foi desencadeada a partir da punição imposta ao marinheiro Marcelino Rodrigues Menezes – 250 chibatadas, sem direito a tratamento médico.

Infelizmente, a desigualdade continua hoje, 112 anos depois, em vários setores da economia brasileira, incluindo as telecomunicações. A mais recente pesquisa realizada pelo CGI BR, “TIC domicílios 2021″ mostra que os mais pobres estão excluídos digitalmente, sem computador, sem internet. São os novos Marcelinos, que apanham, sem direito a nada.

De acordo com a pesquisa:

a) 39% das classes D/E não possuem acesso à internet em seus domicílios. Dos que têm acesso, apenas 18% possuem conexões com velocidade acima de 20 Mbps, velocidade mínima necessária para ter acesso de qualidade a conteúdos educacionais, por exemplo.

b) Enquanto 99% dos domicílios da classe A e 83% da classe B possuem computadores, nas classes D/E há apenas 10% dos domicílios com essa ferramenta. De onde se deduz que o acesso à internet nos domicílios das classes D/E, quando ocorre, se dá, majoritariamente, por celular.

Como nos lembra o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), na pesquisa Acesso Residencial para Estudantes: ” enquanto as classes A e B, em sua maioria, contam com conexões de internet fixa, mais estáveis e sem limitações de uso, e utilizam o celular como ferramenta complementar a equipamentos de telas maiores para o acesso à internet, grande parte das famílias de menor poder aquisitivo têm no celular sua única ferramenta de acesso. Apesar de serem úteis em casos extremos, celulares limitam as possibilidades pedagógicas de produção de conteúdo, pesquisas acadêmicas e uso autônomo para aprendizado, tanto do professor quanto do aluno”.

Uma outra análise, esta realizada pela PwC Brasil, constata que o número de brasileiros plenamente conectados é de 49, 4 milhões, concentrados nas regiões Sul e Sudeste, brancos, com celular pós pago, acesso por notebook, escolarizados, classes A e B. Já os 41,8 milhões de brasileiros subconectados estão nas regiões Norte e Nordeste, são negros, usam celular pré-pago, são menos escolarizados e pertencem às classes D e E.

Em outubro teremos eleições para presidente, governadores, senadores, deputados federais, deputados estaduais. Temos que eleger pessoas e projetos comprometidos com a democracia, a inclusão social e digital, contra o racismo e por um desenvolvimento sustentável.
Chega de ser castigado! Marcelino não aceita mais as chibatadas da exclusão.
Instituto Telecom, terça-feira, 28 de junho de 2022

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