Não é a economia, estúpido.

jun 17, 2025 by

Em matéria no jornal Valor Econômico, o jornalista Pedro Cafardo demonstra que, por diversos fatores econômico, o Brasil está crescendo. A taxa de desemprego vem caindo, o número de pessoas em situação de fome diminuiu em cerca de 14,7 milhões; o lucro líquido das 387 empresas não financeiras subiu 30,3% no último trimestre; a indústria voltou a crescer 3,1% no ano passado; a inflação está abaixo da média nacional dos últimos trinta anos. Os alimentos, que durante o governo anterior cresceram 8,24% ao ano em média, hoje aumentam 4,36% ao ano, em média.

Destaca o jornalista: “espalha-se um enorme pessimismo sobre a economia e, aparentemente, resultados positivos para a vida real de pobres e ricos são quase ignorados nas análises”.

Por quê? O Brasil tem graves falhas na comunicação?

Pode ser, mas não se trata apenas de falhas da comunicação. Ocorre que as grandes empresas de mídia, no final das contas, não aceitam a democratização do país. Nesse aspecto jogam do mesmo lado das big techs. Não querem regulação nenhuma.

Sobre as big techs temos falado bastante. Alphabet , Amazon , Apple , Meta e Microsoft manipulam informações e decidem o que pode e o que não pode circular na internet. A democratização da comunicação passa pela regulação de quem controla as redes e produz algoritmos. Algoritmos que reproduzem, por exemplo, uma visão conservadora de questões de gênero, família e sexualidade. Apoiam os setores mais reacionários da sociedade.

E a regulação da grande mídia – Globo, SBT, Record, Bandeirantes?

Pedro Vilaça e Iara Moura, coordenadores do Intervozes, já afirmavam em 2022 que “a regulação da mídia é realidade em diversos países do mundo. Os Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Espanha, Portugal, França, Espanha e Suécia são alguns exemplos de democracias que implementaram regulações (…) No Brasil, a concentração é tão absurda e oferece tanto poder à dita ‘grande mídia’, que boa parte da população é levada a acreditar que regulação é sinônimo de censura. Mas, na verdade, é a regulação que garante mais diversidade e pluralidade de ideias”.

Por tudo isso, temos enfatizado que a democracia social, tecnológica, econômica, política, racial, ambiental passa necessariamente pela democratização/regulação tanto das big techs como da grande mídia tradicional.

Como afirma, ao final do seu texto, Pedro Cafardo: “ou esse país infeliz tem graves falhas de comunicação ou talvez sua infelicidade e seu pessimismo não venham da economia, estúpido.”

Instituto Telecom, Terça-feira, 17 de junho de 2025
Marcello Miranda, especialista em Telecom

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