Os caminhos da inclusão digital
O tema será abordado em Seminário no Clube de Engenharia, dia 30, a partir das 18h
Há um entendimento mundial de que as telecomunicações são um insumo para o desenvolvimento, integração e soberania nacional. Negligenciar nessa área pode custar caro às futuras gerações.
Estudo recente da UIT (União Internacional de Telecomunicações, órgão da ONU), “Planning for Progress – WhyNationalBroadbandPlansMatter”, mostra que 134 países declararam ter planos nacionais de banda larga a serem desenvolvidos com acompanhamento governamental. Em 2009, o Banco Mundial já havia apontado que um aumento de 10% em penetração da banda larga pode impulsionar o crescimento econômico entre 0,43 e 1,38% .
Para aprofundar esse debate, o Clube de Engenharia realizará o Seminário “Telecomunicações e Desenvolvimento”, como parte do Ciclo de Conferências de Inverno. O objetivo é abrir possibilidade de reflexões sobre os caminhos a serem trilhados para uma maior inclusão digital no Brasil, exatamente pela importância do setor na alavancagem do país para melhorar os índices sociais e pelo reconhecimento de que existe muito a ser feito para se alcançar níveis aceitáveis na nossa infraestrutura e serviços.
Entre os assuntos que estarão no centro do debate estão a regulamentação final do Marco Civil da Internet, a renovação dos contratos de concessão da telefonia fixa, o novo projeto de banda larga do governo, chamado Banda Larga Para Todos, e a elaboração de uma nova regulamentação para as comunicações nacionais.
Em um momento onde grandes decisões envolvendo aspectos das comunicações estão por ser tomadas, é oportuno discussões que levem a uma melhor compreensão do estágio atual de nossa regulamentação, disponibilidade de recursos, tarifas e qualidade dos serviços prestados. Discussões que alimentem as perspectivas de políticas públicas que coloquem o país no caminho do desenvolvimento.
Em 2014, as telecomunicações obtiveram a maior receita operacional bruta da história do setor no Brasil: R$ 234,1 bilhões, ou 4,2% do PIB (Produto Interno Bruto), de acordo com dados da Telebrasil (entidade das empresas de telecomunicações). Segundo o relatório intitulado “O desempenho do setor de telecomunicações no Brasil” , comparado com o ano de 2004, quando a receita foi de R$ 114,8 bilhões, o setor mais do que dobrou a sua receita em 10 anos.
O Instituto Telecom considera que a discussão ampla dos assuntos relacionados às telecomunicações é importante para que a sociedade civil, a maior usuária desses recursos, possa se manifestar em seus anseios por menores tarifas, melhor qualidade e maior abrangência dos serviços.
Não se esqueçam: Clube de Engenharia à Av. Rio Branco 124, auditório do 20º andar, Rio de Janeiro, dia 30 de julho, quinta-feira, 18 horas, com entrada franca. Transmissão via web TV no Portal do Clube em www.portalclubedeengenharia.org.br.
Instituto Telecom, Terça-feira, 28 de julho de 2015





Sei que a banda larga e a inclusão digital são dois temas de extrema importância para sociedade brasileira, especialmente para os rotulados como “os mais carentes”. Afirmo isso, porque julgo que o conhecimento transforma as pessoas, da uma nova visão e estimula a imaginação. Portanto a absolvição de conhecimento é o segredo para o sucesso, como dizia o rei Salomão: “Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento;Porque é melhor a sua mercadoria do que artigos de prata, e maior o seu lucro que o ouro mais fino. Provérbios 3:13,14
Quanto ao papel do Estado neste cenário, é o de levar internet de alta velocidade para todos. Contudo, sei que isso não é uma tarefa fácil, dada a complexidade que é instalar fibra ótica por todo país, ou mesmo, utilizar cabos coxiais e wifi. O governo é taxativo em afirmar que está trabalhando para levar banda larga de 25Mbps para 90% da população. Sinceramente, acho isso uma utopia, pois é inexequível atingir esta meta no prazo estabelecido, que é curto.
Temos que pensar grande e começar pequeno, como diz um conhecido meu. O Brasil não tem regulamentação para indicar quantos bits devem passar por segundo em uma rede para classifica-la como banda larga ou banda básica. No entanto, o mercado prega que acima de 512kbps é banda larga. Já a UIT – União Internacional de Telecomunicação – recomenda que a transmissão deve ser no mínimo 25Mbps.
Nem tanto o céu (25Mbps) nem tanto à terra (512Kbps), mas o Estado poderia levar para todo o país uma banda larga de no mínimo de 1Mbps, podendo variar de acordo com a complexidade do local. As operadoras de telecomunicação sabem que o custo da banda larga, além da infraestrutura, está relacionado a quantidade de bits por segundo (frequência em Hz) que passam por ela. Logo, uma parceria pública e privada reduziria os custos e levar internet para todos.
Outro ponto importante é que a lei do Marco Civil da Internet (12965/14) afirma que é papel do governo expandir o uso da internet e capacitar as pessoas no seu uso, artigo 24. Não adianta o provedor de conexão levar a banda larga somente até o armário do município (a última milha), mas é preciso que ela chegue, de fato, até as casas dos cidadãos das comunidades carentes ou aos telecentros. Também é necessário criar programas de capacitação para eles.
Parabéns pela matéria.