Operação da PF com a Anatel desarticula quadrilha que contrabandeava aparelhos de TV Box
A Operação PRAEDO — termo em latim para “pirata”, em alusão à pirataria digital — mobilizou 38 policiais federais e quatro agentes de fiscalização da Anatel para cumprir 12 mandados de busca e apreensão na última semana. Destes, oito foram em Curitiba (PR), três em Foz do Iguaçu (PR) e um em Brasília (DF). Entre as medidas cautelares judiciais de grande impacto, estão o bloqueio de até R$ 33 milhões, o sequestro de veículos e imóveis, e o bloqueio de sites utilizados para a venda dos aparelhos ilegais.
A atuação da fiscalização da Anatel resultou na identificação e apreensão de 140 aparelhos de TV Box. Com valor unitário estimado em R$ 899,00, o total apreendido em equipamentos soma R$ 125.860,00. Entre os produtos apreendidos encontram-se itens dos tipos UniTv, Red Pro3, diversos modelos de BTV, Platinum e Pulse.
Como funcionava o esquema
As investigações tiveram início a partir de uma denúncia de uma entidade representativa do setor de telecomunicações, que alertou sobre a comercialização indevida de dispositivos para recepção ilegal de sinais de TV. A PF apurou que um site responsável pela venda era administrado por um casal em Curitiba, que utilizava empresas de fachada para ocultar os lucros ilícitos. O aprofundamento das investigações revelou a existência de outro casal e de familiares também envolvidos, todos atuando no mesmo ramo e viabilizando a estrutura de vendas para todo o território nacional.
Os aparelhos entravam no Brasil de forma clandestina, vindos da fronteira com o Paraguai via Foz do Iguaçu (PR), por meio de contrabandistas. A mercadoria ingressava sem o devido recolhimento de tributos e, por não possuir homologação da Anatel, sua comercialização é irregular, configurando crime de contrabando. A distribuição era centralizada em Curitiba e abastecia consumidores em diversas regiões do país.
A Polícia Federal identificou uma estrutura criminosa organizada, com clara divisão de funções entre importadores, operadores logísticos, intermediários financeiros e comerciantes digitais. Foram detectadas movimentações financeiras milionárias, incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos. Apenas um dos casais investigados apresentou indícios de enriquecimento ilícito de aproximadamente R$ 5 milhões, com a aquisição de imóveis, veículos e artigos de luxo.
João Monteiro, IP News, 4 de agosto de 2025




