Operadoras precisam se preparar para mudar cobrança de Internet, diz IDC
Para consultoria, medida é potencialmente boa porque pode trazer melhorias no serviço com o fim da “velocidade reduzida”. Anatel diz que não pode restringir mudanças.
Anunciada nesta segunda-feira, 20/10, a até agora polêmica mudança que prevê o fim da chamada “velocidade reduzida” e a obrigatoriedade do pagamento extra para continuar usando a Internet no celular é vista com ressalvas pelo mercado.
Para o analista sênior de telecomunicações da IDC Brasil, Samuel Rodrigues, a mudança pode ser positiva porque significaria uma melhoria no serviço. Mas isso desde que as operadoras se preparem para evitar um congestionamento das redes.
“Isso vai ter impacto, trazendo um aumento no tráfego. Então é essencial que as operadoras melhorem os seus serviços de banda larga móvel, que já costumam receber avaliações ruins normalmente”, afirma Rodrigues, em referência ao fato de que as empresas terão de manter a velocidade contratada pelo usuário, em vez de fornecer a chamada “velocidade reduzida”, pelo novo método.
Recuperar receita
Após perder receita com serviços de voz e mensagem, por conta de aplicativos como Skype, WhatsApp e iMessage, as operadoras agora tentam diminuir os danos com essa nova forma de cobrança, já adotada em outros lugares do mundo.
“Em algumas instancia, é uma medida de prevenção de perda de receita. É um dos fundamentos dessa medida sim. Mas elas terão de preparar para isso”, aponta o analista da IDC.
Pensamentos diferentes
Até o momento, a Vivo foi a única a confirmar o início da nova cobrança, já a partir de novembro, primeiramente nos estados do Rio Grande do Sul e Minas Gerais. A Oi, por sua vez, sinalizou que deve adotar o modelo em breve, enquanto que a TIM afirmou que não prevê nenhum ajuste no momento.
Segundo Rodrigues, essa diferença de pensamento entre as duas maiores operadoras do Brasil, Vivo e TIM, respectivamente, faz sentido. “A Vivo sempre buscou ter uma receita média maior por usuário,. A TIM é o contrario desse pensamento, por ter um foco em querer trazer mais usuairos.. Por isso, faz sentido agora que a TIM mantenha essa estrateégia em vez de ir atrás de um usuário mais premium, que esteja disposto a pagar esse valor extra para acessar a Internet no celular, como é o caso da Vivo.”
Prática legal
Em comunicado ao IDG Now!, a Agência Nacional de Telecomunicações afirmou que “não compete à Anatel restringir tais ofertas, mas tão somente resguardar que sejam garantidos os direitos dos consumidores e também que seja preservado o ambiente de competição na prestação destes serviços. Além disso, cabe ressaltar que é obrigação das prestadoras prestar informações aos consumidores de maneira clara e adequada desde o momento da contratação do serviço, independentemente de como esteja estruturada a oferta do serviço”.




