Países resistem à proposta da ONU de internet universal

set 22, 2010 by

Secretário da UIT, Hamadoun Touré, desafia os líderes governamentais a garantirem que mais da metade dos habitantes do mundo tenham acesso às redes de banda larga até 2015.
O secretário geral da UIT (União Internacional de Telecomunicações), a agência da ONU (Organização das Nações Unidas) encarregada dos assuntos de TIC, Hamadoun I. Touré, desafiou os líderes governamentais a garantirem que mais da metade dos habitantes do mundo tenham acesso às redes de banda larga até 2015 e que estas sejam “um direito civil básico”.

Touré lançou o desafio a políticos, chefes da agência e da ONU e gigantes da indústria na segunda reunião da Comissão de Banda Larga para o Desenvolvimento Digital, ainda que ainda tenha apresentado sua declaração final ao secretário geral da Organização, Ban Ki-moon, em Nova York.

“A banda larga é o próximo ponto de inflexão, a próxima tecnologia verdadeiramente transformadora. Pode gerar empregos, impulsionar o crescimento e produtividade e reforçar a competitividade econômica em longo prazo. Também é a ferramenta mais poderosa que temos à nossa disposição na corrida para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que já estão somente a cinco anos de distância”, explicou Touré.

O comunicado final da Comissão inclui uma declaração que pede “internet para todos” e conta com um marco detalhado para a implantação da banda larga e dez pontos de ação encaminhados a mobilizar a todos os interessados e convencer aos líderes governamentais a dar prioridade a este assunto.

As investigações recentes sugerem uma forte relação entre a penetração de internet e o crescimento econômico. “No século XXI, as redes de banda larga serão tão imprescindíveis para a prosperidade social e econômica como o transporte, a água e a energia. Elas servirão como fontes de inovação. Representam o amadurecimento da revolução digital, os frutos do que ainda não foi inventado ou imaginado”, ressalta o texto.

O relatório foi apresentado ao Secretário Geral da ONU durante um evento paralelo realizado em conjunto com a Cúpula da Organização. Ao receber o documento, Ban observou o poder da tecnologia na hora de injetar um novo impulso no paradigma do desenvolvimento.

“As tecnologias da informação e da comunicação desempenham um papel cada vez mais importante como motor do desenvolvimento social e econômico; deve-se unir esforços para garantir que estas estejam a altura de seu potencial”, disse Ban.

O relatório destaca a necessidade de que os líderes se foquem na construção de uma “dinâmica virtuosa de desenvolvimento de banda larga” e ressaltou que a internet tem poder para conectar os silos de saúde, educação, energia, transporte, meio ambiente e outros setores chave”.

Prós e Contras

De acordo com o relatório, há muitas disparidades quanto à disponibilidade global de acesso à banda larga, pois muitos líderes governamentais não concordam com implantação da internet aos seus cidadãos.

O documento destaca que, enquanto os usuários no mundo desenvolvido – Reino Unido, Canadá, Estados Unidos e Austrália – pagam menos de 1% da média de seu rendimento mensal total por banda larga, outros países como Etiópia, Malawi ou Nigéria, pagam quase um salário por uma conexão relativamente lenta.

Além disso, a acessibilidade é uma correlação clara e direta para a assimilação, de modo que enquanto 30% das pessoas nos países da Europa Ocidental, Oceania e América do Norte dispõem de uma assinatura de banda larga, a penetração do serviço nos países BRIC é modesta, em torno de 10%, sendo que as nações mais pobres do mundo chegam a menos de 1% da população.

O relatório final da Comissão salienta a importância de promover a diversidade cultural e o multilinguismo no mundo online. Ele incita aos governos a limitar a entrada no mercado de banda larga sem impostos e serviços relacionados e assegurar a disponibilidade de espectro amplo para apoiar o crescimento da internet móvel.

A UIT prevê um total de 900 milhões de assinantes de banda larga em 2010 e acredita que a internet móvel será a tecnologia de acesso preferida por milhões de pessoas no mundo do desenvolvimento, onde a infraestrutura de conexão fixa é escassa e cara na implementação.

*Informações de Agências Internacionais.
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