PNBL não é um fracasso, diz Caio Bonilha, da Telebras

ago 13, 2013 by

Mesmo com apenas cerca de 2,4 milhões de usuários do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) conquistados nos últimos dois anos, para o presidente da estatal Telebras, Caio Bonilha, o programa não é um fracasso. Bonilha mostrou aos deputados da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática (CCT) da Câmara dos Deputados que esse número corresponde a 64% dos novos assinantes de banda larga.

“Isso significa que o PNBL é um sucesso e não um fracasso como vejo algumas pessoas dizendo por aí”, afirma ele. O número de 2,4 milhões inclui os assinantes que aderiram ao PNBL das concessionárias– resultado de um termo de compromisso assinado com o Minicom, e os assinantes dos provedores ligados à rede da estatal. Bonilha informou, contudo, que não sabe quantos assinantes têm os provedores clientes da Telebras.

Hoje a Telebras tem mais de 15 mil km de rede em operação e outros 10 mil km, diz Bonilha, estão em fase final de implantação. “E temos projeto de expansão de rede inclusive não fazendo parte do projeto original da Telebras”, afirma. Atualmente a empresa tem 1.147 provedores cadastrados que demandam cerca de 500 Gbps por mês.

Lei 8.666/93

Bonilha queixou-se das dificuldades que a empresa tem para se livrar das amarras colocadas pela Lei 8.666/93, que estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos para órgãos governamentais. O Minicom está trabalhando para enviar sugestões para a relatora da revisão da Lei, a senadora Kátia Abreu. Ele explica que a lei impede que a empresa possa contratar serviço de obra civil juntamente com os equipamentos. “O espírito da Lei 8.666 é que obra civil é um negócio muito grande, por isso exige um projeto específico. Nós entendemos que para fazer uma base para um conteiner é um negócio irrisório e é o que a gente mais faz”, diz ele.

A Telebras foi obrigada a cancelar uma licitação para a compra de torres, justamente porque não separou a obra civil do restante dos equipamentos. De acordo com o ministro Paulo Bernardo, em recente entrevista à Revista TELETIME, a Telebras teve de refazer o edital, o que gerou um atraso de um ano na compra dos equipamentos e o resultado foi um custo 50% maior. A sugestão, explica Bonilha, seria definir um corte abaixo do qual a lei não exigisse a contratação separada.

Outra sugestão que o Minicom deverá encaminhar à senadora é a possibilidade de a Telebras contratar dois fornecedores nas suas atas de registro de preço. A questão, nesse caso, é que quando o fornecedor que obteve o melhor preço tem algum problema, a Telebras tem que passar por um “longo processo administrativo” para contornar o problema. O pedido da Telebras é para que a estatal possa comprar do segundo colocado, desde que ele concorde em oferecer o mesmo preço e as mesmas condições do primeiro colocado.

Energia

A Telebras também enfrenta problema para conseguir energia para os seus equipamentos, mesmo considerando que boa parte da sua rede trafega pelos cabos OPGW das transmissoras de energia. O problema é que as transmissoras de energia não podem vender para os clientes finais, apenas as distribuidoras. Para atender a Telebras em áreas remotas, as distribuidoras chegaram a demorar até seis meses, explica Bonilha. “Embora a gente esteja em uma linha de alta tensão, pela regulamentação, somos obrigados a contratar energia comercial”, afirma ele.

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