“Não vamos fazer falsas promessas”, adverte Zeinal Bava, da Oi
Uma ‘nova’ Oi está sendo desenhada pelo presidente Zeinal Bava, que veio da Portugal Telecom. Isso ficou transparente na teleconferência de resultados do segundo trimestre de 2013, realizada nesta quarta-feira, 14/08. O executivo foi direto: “não vamos fazer promessas. Mas vamos trabalhar para responder ao mercado”, disse aos analistas financeiros. O executivo não falou com a Imprensa. E essa gestão já traçou suas diretrizes.Uma delas é a renovação da arquitetura de TI. “Precisamos muito simplificar os processos. Também temos que melhorar a produtividade da engenharia de redes e das operações de campo. estamos treinando 500 técnicos por semana em um novo workflow de gestão, que está sendo adotado, inicialmente, em Minas Gerais”, disse Bava. Lembrando que a sua gestão fez a opção de acabar com a terceirização. A ordem é internalizar todos os funcionários. A meta é audaciosa: ampliar a produtividade entre 20% a 40%. E aos fornecedores, um recado. A Oi quer renegociar contratos. “Precisamos deles como parceiros”, declarou.
Nessa reorganização a Oi informou que vai reduzir o investimento em 2014 – a média tem sido de R$ 6 bilhões/ano. Segundo o executivo é necessário alinhar o investimento para aumentar a geração de caixa e também de ações efetivas. Uma delas, lembrou, é o compartilhamento de infraestrutura. “O que estamos fazendo com a TIM no 4G é muito importante. Porque nos permite economizar recursos e ativos de rede. Precisamos aumentar esse tipo de acordo”, sinalizou.
Com o propósito de revigorar a companhia, Bava informou ainda que a partir de setembro fará um road show para apresentar os planos da sua diretoria ao mercado. O executivo deixou claro que a Oi precisa ganhar eficiência operacional.
Balanço financeiro
A Oi S.A. apresentou prejuízo de R$ 124 milhões no segundo trimestre de 2013, ante um lucro de R$ 347 mihões no mesmo período de 2012 e lucro de R$ 262 milhões no trimestre diretamente anterior. A operadora explicou tal desempenho como resultado de um menor EBITDA no trimestre e maiores despesas financeiras por conta da desvalorização do Real e aumento do juros. A receita líquida no período somou R$ 7,1 bilhões, alta de 2,4% na comparação contra o mesmo período do ano anterior, puxada pela expansão da TV paga e banda larga no segmento Residencial e de maiores receitas com dados e TI no segmento Corporativo. A receita líquida de serviços, excluindo aparelhos, totalizou R$6,9 bilhões, um aumento de R$173 milhões (+2,6%) na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O EBITDA totalizou R$ 1,8 bilhão no trimestre, impactado por maiores despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) e maiores despesas comerciais e de pessoal – a Oi anunciou recentemente a contratação de uma série de profissionais terceirizados. As Unidades Geradoras de Receita (UGRs) apresentaram crescimento de 3,3% contra o 2T12 e estabilidade contra o trimestre anterior, fechando em 74,8 milhões no final de junho de 2013.
O segmento Residencial alcançou R$ 2,6 bilhões de receita líquida no 2T13, acréscimo de 4,5% em relação ao mesmo período do ano passado, fruto do aumento de clientes co pacotes de servicós (banda larga e TV paga). Por mais um trimestre, a queda dos terminais fixos foi compensado pelo aumento das receitas de banda larga e TV paga. O ARPU residencial no 2T13 foi de R$ 70,2, um crescimento de 8,8% frente a R$ 64,5 no 2T12, e um crescimento de 2,0% frente ao trimestre anterior. A Oi encerrou o trimestre com 18.438 mil UGRs no segmento Residencial, um crescimento anual de 2,2% impulsionado pela expansão de TV paga (84,8%), contínuo crescimento da banda larga fixa (+10,2%) e manutenção do baixo nível de desconexão de telefonia fixa (502 mil no trimestre).
Móvel
No segmento móvel, a Oi registrou receita líquida de R$ 2,3 bilhões no 2T13, crescimento de 1,2% em relação ao 2T12. A receita de serviços totalizou R$ 1,6 bilhão ao final do 2T13, alta de 4% no comparativo com o 2T12. O avanço de 60% na comparação ano a ano na receita de dados (planos de internet para celular, banda larga móvel, SMS e serviços de valor agregado) impulsionou o crescimento da receita de serviços. A receita líquida de materiais de revenda totalizou R$128 milhões, uma queda de R$6 milhões no comparativo anual, reflexo da redução do volume nas vendas de aparelhos.
A Oi fechou o primeiro semestre com 46.896 mil UGRs no segmento de Mobilidade Pessoal, um crescimento de 3,8% quando comparado ao 2T12. Nos últimos doze meses, esse crescimento representa 1.698 mil adições líquidas, sendo 870 mil UGRs de pós-pagos e 828 mil de pré-pagos.
No 2T13, o ARPU móvel encerrou em R$20,0, uma queda de 6,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, impactada pela queda da receita de interconexão (corte da VU-M) e parcialmente compensada pelo aumento da base de clientes e da receita de pós-pago e pelo aumento do nível de recarga do pré-pago.
Provisões para devedores duvidosos
A provisão para devedores duvidosos (PDD) totalizou R$323 milhões no 2T13, um aumento de R$159 milhões (97,0%) no comparativo anual, representando 4,6% da receita líquida (2,4% no 2T12), um dos fatores que levaram ao prejuízo da companhia no período. “Este desempenho é reflexo principalmente da deterioração no cenário macroeconômico (fraco desempenho do PIB e do aumento da inadimplência e do endividamento das famílias) que ocasionou restrição orçamentária de consumidores e órgãos públicos. Cabe ressaltar que, para as novas safras de clientes, as análises de crédito já incorporaram as variáveis mencionadas acima, o que resultou em um filtro de crédito mais adequado ao momento atual da economia”, frisou a Oi.




