“Radiodifusão tem que trabalhar para não perder espectro para serviços móveis” alerta Martinhão.

dez 2, 2015 by

“Radiodifusão tem que trabalhar para não perder espectro para serviços móveis” alerta Martinhão.

Em sua apresentação na abertura do Encontro Tele.Síntese sobre “A Gestão do espectro – desafios nacionais e padrões globais”, realizado hoje em Brasília, o secretário das Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Maximiliano Martinhão, fez um alerta à radiodifusão. Embora o Brasil, ao lado de países latino-americanos, do Caribe, da Ásia e da Europa, tenha conseguido manter, na WRC15 – conferência mundial de rádio da UIT que se encerrou no final de novembro, em Genebra —, a faixa de 470-698 MHz alocada para a radiodifusão, Estados Unidos, Canadá, México, Colômbia e alguns países asiáticos já apresentaram notificação de uso dessa faixa para as comunicações móveis. “Ganhamos um fôlego”, disse Martinhão, lembrando que a tradição da UIT é que uma nota de rodapé de uma conferência venha se transformar em frequência mundialmente harmonizada, na conferência seguinte.

Na edição 2015 da WRC, chamou a atenção de Martinhão o aumento da demanda por aplicações específicas em faixas antes destinadas a serviços tradicionais. Esse movimento, já detectado na conferência de quatro anos atrás, tornou-se mais intenso neste ano. Entre as demandas por novas aplicações, ele destacou a demanda por espectro para sistemas aeronáuticos como os veículos aéreos não tripulados (VANT), que querem ocupar espectro que, no Brasil, é destinado a aplicações de serviços fixos de satélite. A demanda de espectro para os VANT (categoria onde estão os drones) vem sobretudo da indústria norte-americana e alemã, um mercado estimado em US$ 80 bilhões.

Ao lado dessa aplicação, Bruno Ramos, diretor da UIT para as Américas, ao fazer um balanço da Conferência, destacou também as aplicações extraordinárias de monitoramento das aeronaves que possa também cobrir os polos, demanda de radiofrequência para aplicações de tráfego, de transporte público e de carro conectado,

IMT

Mas, no conjunto da demanda individual de países, o maior volume de espectro foi reivindicado, na WRC15, para as comunicações móveis (IMT 2000, IMT Advanced e IMT 2020). De acordo com Ramos, antes da Conferência deste ano havia sete fixas com 1.177 MHz destinados ao IMT (4G e 5G). Ao final dela, eram 15 faixas com mais 603 MHz. Ele esclareceu, no entanto, que desses novos 603 MHz, apenas 90 MHz foram harmonizados mundialmente nessa conferência na faixa de 1,4 GHz na banda L. Os 513 MHz excedentes foram adotados por países individualmente, como o caso dos Estados Unidos, Canadá e México que decidiram usar a faixa de 470-698 MHz em UHF para serviços móveis.

Lia Ribeiro Dias LIA RIBEIRO DIAS — 1 DE DEZEMBRO DE 2015

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