RIM: mercado brasileiro de smartphones dobrará em 2010
Fabricante do BlackBerry dá início à produção local com a Flextronics de olho no avanço do consumo desse tipo de aparelho no País.
A Research in Motion (RIM), fabricante dos aparelhos BlackBerry, estima que o mercado brasileiro de smartphones dobrará este ano e apresentará a mesma taxa de crescimento em 2011. Atualmente, cerca de 6% a 7% das novas vendas são de smartphones, de acordo com a empresa. “E este número duplicou desde o início do ano”. A média da América Latina é 11%, com destaque para a Venezuela, com 18%. Os Estados Unidos são o país onde smartphones são mais populares, com 28%.
O potencial de crescimento do mercado brasileiro foi um dos motivos que levaram a RIM à decisão de produzir o aparelho Curve 8520 no País, por meio de parceria com a Flextronics, em sua unidade de Sorocaba (SP). A fabricante do BlackBerry não informa o valor investido na nova operação, tampouco a expectativa de produção. O co-CEO da companhia, Jim Balisillie, diz apenas que a planta terá duas linhas de produção dedicadas à RIM, com aproximadamente 300 funcionários.
Os aparelhos produzidos no interior paulista serão destinados ao consumo no mercado brasileiro e também a exportações para a América Latina, mas Balisillie não quis informar, percentualmente, quanto da produção ficará no País. De acordo com o co-CEO da RIM, a empresa planeja fabricar outros modelos na planta de SP. “Nossos negócios na América Latina cresceram cerca de 100% nos últimos seis anos”, afirma Balisillie.
A empresa não divulga dados regionais, mas, segundo o gerente de inteligência de marketing da RIM, Alex Zago, atualmente, 65% das vendas da empresa estão concentradas no Canadá e nos Estados Unidos. Os outros 35% vêm de outras regiões, inclusive a América Latina. A unidade brasileira será a nona fábrica da empresa em todo o mundo.
De acordo com o diretor global de inteligência de marketing da companhia, Duncan Bradley, a RIM vem planejando estabelecer produção local no País há cerca de dois anos. A decisão chegou na hora certa, avalia o executivo, no momento em que o mercado brasileiro começa a amadurecer para o consumo de smatphones. “O preço dos planos de dados é um dos inibidores desde desenvolvimento”, analisa Bradley. Para o gerente de inteligência de marketing da RIM, Adriano Lino, o preço dos terminais também atrapalha o consumo de smartphones.
Segundo Lino, o principal benefício da fabricação local é a redução do tempo de entrega dos pedidos para operadoras. No modelo de importação, a RIM leva aproximadamente três meses entre o pedido de compra e a entrega dos smartphones. Este prazo será reduzido com a produção em São Paulo, mas a companhia não quis informar quanto.
O preço dos aparelhos também cairá (e a RIM também não quis dizer quanto), mas Lino ressalta que valores mais baixos não foram o principal aspecto a fazer com que a RIM decidisse dar início à produção no País. “A redução não é desprezível, mas se fosse só isso teríamos aberto a planta há mais tempo. O ganho logístico é maior”. A indústria estima que a RIM terá uma diminuição de preços na ordem de 15% com a fabricação no Brasil.




