Territórios Digitais implantou 80 Casas Digitais em 65 municípios

jan 18, 2010 by

Inclusão digitalO Projeto Territórios Digitais, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, encerrou 2009 com 80 Casas Digitais instaladas em 65 municípios.  A meta inicial para o primeiro ano de funcionamento do projeto era implantar 30 Casas, que funcionam como telecentros comunitários. Este ano, o projeto deverá superar a meta de implantar 120 casas, uma em cada Território da Cidadania. O Territórios da Cidadania é um programa que reúne ações de desenvolvimento regional e de garantia de direitos sociais em territórios de baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do País e baixo dinamismo econômico.

“A Casa Digital foi pra gente como um bilhete premiado, a oportunidade do ano. É o início da mudança, e queremos mudar ainda mais. Agora temos muitas possibilidades abertas com o acesso à informática e internet, e temos que aproveitar e aprender para melhorar nossa vida.”

Com essas palavras, Jean Carlos Duarte da Silva, 32 anos, resume seu sentimento e de outros moradores do Assentamento 17 de Abril (Território da Cidadania do Sudeste Paraense) com relação à chegada do Projeto Territórios Digitais à comunidade. Jean Carlos, que é monitor voluntário da Casa Digital também batizada como 17 de Abril, informa que o espaço atende a mais de 600 famílias, que incluem cerca de três mil jovens do assentamento, além de mais outros dois assentamentos e dois acampamentos vizinhos.

O assentamento 17 de Abril fica a 15 km do município de Eldorado dos Carajás (PA) e a inauguração da Casa Digital, em outubro de 2008, marcou também o lançamento do Projeto Territórios Digitais, que é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e integra o Programa Territórios da Cidadania.

Inclusão digital para promover a inclusão social

Para desenvolver o Projeto Territórios Digitais, o MDA conta, por meio da atuação de seu Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (NEAD), com a parceria do Ministério das Comunicações (MC), além de outros órgãos federais, estados e municípios. Como principais parceiros, MDA e MC ficam responsáveis, respectivamente, pela capacitação dos usuários e pelo fornecimento e instalação dos equipamentos. Cada Casa Digital conta com dez computadores, servidor, impressora, roteador wireless, projetor multimídia (datashow), internet de alta velocidade em banda larga e mobiliário.

Esta estrutura abre as porta para a comunicação e informação nas comunidades. Na Casa Digital os agricultores, trabalhadores rurais e assentados podem acessar políticas públicas, participar de editais de programas governamentais, fazer cursos a distância, integrar redes sociais virtuais, além de buscar novos mercados e comercializar sua produção. “Minhas notas na escola melhoraram, porque temos o desafio de procurar na internet novos temas, ler coisas diferentes. Também já fiz um curso online sobre políticas públicas e controle social”, conta José Filho Araújo Santos, 16 anos, morador do Assentamento de Santana – Território da Cidadania Inhamuns Crateús, município de Monsenhor Tabosa, Ceará.

Os professores de Santana também estão fazendo pós-graduação pela internet através da Casa Digital. Antes da chegada dos computadores, o único meio de comunicação do assentamento era um telefone público, que servia às 88 famílias residentes e a outras comunidades próximas.

No Amazonas, onde já há Casas Digitais em nove Territórios da Cidadania do estado, a vida dos ribeirinhos, extrativistas, indígenas e caboclos que vivem da várzea também está mudando. “No meio da floresta ainda existe a velha prática de se reunir para assistir TV no centro comunitário. E quando se falava em internet e computador na TV, as pessoas nem sonhavam que teriam acesso a essas tecnologias tão cedo. Estamos nos empenhando para atender com mais Casas Digitais as comunidades rurais distantes, que têm produção, organização social e vida comunitária”, declara Lúcio Carril, delegado federal do MDA no Amazonas.

Integração

Ao longo de 2009, o ‘Territórios Digitais’ ganhou força e apoio de governos municipais, estaduais, e federal, agregando também a participação de universidades e estudantes que desenvolvem processos de capacitação nas áreas de educação do campo. “Parte das comunidades rurais do Brasil começou a ser inserida no mundo virtual, possibilitando, dessa forma, que seja exercido o direito da cidadania em áreas remotas. Esta nova realidade, com a mudança que traz por meio das parcerias firmadas, é que proporciona o desenvolvimento”, destaca Carlos Roberto Paiva da Silva, coordenador-geral de Acompanhamento de Projetos Especiais do MC.

E a cooperação entre as instituições será estendida e fortalecida neste ano de 2010, garante Heliomar Medeiros de Lima, diretor do Departamento de Serviços de Inclusão Digital (Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão – GESAC). “Ficamos muito satisfeitos com a parceria, porque estamos atendendo à essência do GESAC, que é alcançar as populações mais necessitadas, de assentamentos e comunidades rurais em geral”, resume.

A consultora de inclusão digital do NEAD/ MDA, Rossana Moura, estima que a meta do segundo ano de atuação do Projeto – implantar uma Casa Digital em cada um dos 120 Territórios da Cidadania – também será superada. “A expectativa é ter mais Casas por território. Já temos mais de 200 endereços registrados, indicados e deliberados pelos Colegiados Territoriais dos estados, o que significa que essas comunidades já estão confirmadas para a instalação das Casas Digitais. Além disso, os Colegiados ainda indicarão outros locais”, explica Rossana.

Memória

O projeto Territórios Digitais consiste na implantação de Casas Digitais em escolas agrícolas, sindicatos, assentamentos e comunidades rurais tradicionais, em territórios integrantes do Programa Territórios da Cidadania. O objetivo é promover a inclusão social e digital.

A concepção do Territórios Digitais foi desenvolvida com o objetivo de atender as especificidades populações do meio rural. Por isso, não há apenas a transposição de um telecentro típico do meio urbano para o rural.

O funcionamento das ações é articulado por uma equipe em Brasília, que atua no NEAD, e articuladores estaduais, territoriais, além de delegados do MDA em todo o país. A diretriz metodológica apresentada a cada estado é discutida com a comunidade, que fica responsável pela organização e gerenciamento da estrutura, após receber a capacitação. (Do Portal MDA)

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