Trabalhadores afirmam que entrada da PT na Oi é “uma aventura”
Mesmo que o acordo firmado entre Telefónica e Portugal Telecom pareça ter sido desenhado para atender a todas as partes, não faltam críticas ao negocio. o Goldman Sachs, por exemplo, afirma que a aposta na Oi traz ‘incerteza e complexidade’. O Sindicato dos Trabalhadores da Portugal Telecom (STPT) atesta que a transação ‘coloca em risco a estabilidade da operadora em função do forte endividamento da Oi.
O posicionamento do STPT foi encaminhado por meio de telegramas ao primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, e ao presidente do Conselho de Administração da Portugal Telecom, Henrique Granadeiro, nesta quarta-feira, 28, logo após o anúncio oficial das vendas da parte da PT na Vivo e da compra de 22,4% da Oi.Ao primeiro-ministro, o Sindicato afirma que “o interesse nacional estratégico da Vivo para a PT é inegável. Seria dramático se a posição firme do Governo de vossa excelência ficasse na dúvida com esta estranha decisão”.
Para o Sindicato dos Trabalhadores, a venda da Vivo à Telefónica revelou como a Administração da empresa e o Governo menosprezam “os interesses da PT e dos consumidores, dos clientes e dos seus trabalhadores”. A entidade classificou ainda a venda como “uma forte machadada no desenvolvimento das Telecomunicações do nosso País ao serviço das populações”.
Apelidando o uso da “golden share” pelo Estado de “bluff”, o grupo dos trabalhadores afirma que a realização da venda acabou por resultar da “forte dependência da Administração dos interesses financeiros imediatos dos grandes acionistas” e criticou a postura do Governo, afirmando que ele cedeu “aos interesses e às pressões nomeadamente do Presidente do BES, Dr. Ricardo Salgado”.
Quanto à entrada da PT na Oi, o Sindicato considera-a uma “aventura”, realçando o seu forte endividamento. O sindicato sustenta que “estará em risco a manutenção da estabilidade laboral e dos compromissos assumidos com os Trabalhadores, nos salários nas Pensões e na Saúde”.
Quem também possui dúvidas com relação ao negócio é o Goldman Sachs. Para o banco, a entrada na Oi traz “incerteza e complexidade” para a PT que, segundo a instituição, “acredita que adquiriu uma posição influente num ativo com potencial de reconversão”.
Se a PT conseguir recriar “o sucesso que obteve com a Vivo, a transação poderá ser vista como positiva. Mas pensamos que irá exigir um longo período de execução robusta e uma prova de que a PT e os novos parceiros conseguem trabalhar juntos para convencerem os investidores do mérito do negócio”, completa o Goldman Sachs, em comunicado divulgado na última quinta-feira, dia 28 de julho.




