Santanna atribui sua saída à resistência em atender interesses das teles
Segundo o ex-presidente da Telebrás, foi isso que deteriorou sua relação com o ministro Paulo Bernardo.
O ex-presidente da Telebrás, Rogério Santanna, atribuiu a sua substituição na estatal à sua resistência em atender aos interesses das teles. Após participar do início da reunião do Conselho de Administração da estatal, que oficializou o nome de Caio Bonilha na presidência da companhia, nesta quarta-feira (1º), ele afirmou que conviveu cinco anos com o ministro Paulo Bernardo, no Planejamento, quando esteve à frente da SLTI (Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação) e não teve dificuldade. “Mas, à medida que o trabalho do PNBL ia se aproximando dos interesses das empresas de telecomunicações do Brasil, a minha relação com o ministro foi se deteriorando, acho que há uma relação quase direta aí”, ressaltou.
Santanna negou que sua saída tenha sido motivada por suas críticas ao corte de recursos para a estatal, o que teria constrangido o governo, como foi bancada por alguns jornais. Porém, destacou que as prioridades de governo se veem na contabilidade e não no discurso. “Se não há recurso, perde prioridade”, disse.
Segundo Santanna, seu afastamento foi oficializado com a leitura da carta do ministro Paulo Bernardo, em que destacava a necessidade de promover maior integração entre a estatal e o MiniCom. Ele disse que não pode afirmar se houve a apresentação dos ajustes à Telebrás, além da sua substituição, porque participou apenas de parte da reunião.
Sobre o novo presidente, Caio Bonilha, Santanna disse que, por já trabalhar na empresa – ocupava a diretoria comercial – ele conhece profundamente o PNBL e não vê dificuldades na sua condução. “Basta que o que foi programado, os investimentos que foram programados, a construção do backhaul e do backbone, sejam feitos nos próximos anos e que isso de fato sirva para reduzir o preço final do serviço”, completou.
Santanna informou que ainda não tem planos para o futuro. “Agora é o momento de descansar, relaxar, depois vamos examinar as possibilidades”, disse. Ele terá de cumprir quarentena de quatro meses, caso decida atuar na iniciativa privada.




