Provedores do Sul estão preparados para crescer
Nos últimos anos, três fatores têm nos deixado ainda mais confiantes no futuro dos provedores de internet: a estabilidade da economia, a confiança dos empresários do setor nas associações de classe, e o “descobrimento” do Governo Brasileiro sobre a importância da Banda Larga para a democratização da internet – e o conseqüente lançamento do PNBL.
Os números são favoráveis: o acesso à internet cresceu 59% em 2011; hoje são 18,2 milhões de acessos fixos e 59,3 milhões de acessos móveis. Há 1,4 novo acesso por segundo. O maior aumento está nas classes C, D e E. Também houve 30% de crescimento nos contratos de TVs por assinatura, com 2,9 milhões de novas contas.
Apesar deste cenário, ainda há demanda reprimida e espaço para os provedores atuarem. A demanda no setor é aceleradamente crescente em toda a cadeia de valores.
O Brasil é um mar de oportunidades, carregado de desafios na mesma proporção.
Não podemos equacionar as novas demandas de forma isolada no contexto do ente regulador. O SeAC foi um interessante exemplo da convergência necessária entre Anatel e Ancine, em que pese, ainda não tenha alcançado a Aneel no âmbito do compartilhamento de infra-estruturas, o que reserva ao Minicom o papel estratégico no sentido de pacificar e normatizar a criação e compartilhamento de infra passiva, especialmente de torres e cabos ópticos, sob pena de impedirem o avanço continuo impulsionado pela demanda.
Para que o aumento da oferta, esperado pelo governo e consumidores, ocorra, a Anatel precisa vencer desafios como os leilões de radiofreqüência e revisão de vários regulamentos, a fim de alcançarmos uma assimetria regulatória, modernizando-se na transparência e objetividade de suas ações.
A internet tem alterado o modelo de muitos negócios, seja agregando serviços aos já existentes, como ocorre no mercado de TV por assinatura, ou viabilizando provedores de acesso dos mais diversos portes, posicionados especialmente nas camadas sociais mais baixas.
Temos que aproveitar uma oportunidade que o cenário nos concede e que chamo de “convergência estratégica”. Existem vários atores no mercado, operadoras de telecomunicações, prefeituras, governos e entidades de classe, que podem ser nossos parceiros. É preciso aproveitar o melhor de cada um e parceirizar com aqueles que nos ofertarem o melhor custo-benefício.
Quem souber aproveitar este momento, vai crescer. Os provedores sabem disso e investem em redes de alta capacidade à medida que agregam serviços, como TV, pelo SeAC. Operadores de TV por Assinatura ampliam seu escopo com o acesso a internet, criando um universo de múltiplos operadores de diferentes portes espalhados por todo o Brasil, especialmente em regiões onde as operadoras não atuam.
Em 2011, o crescimento das TVs por assinatura foi de 30% em apenas 300 cidades. Nossa capacidade de fazer clientes é maior e crescemos quase 60% com a banda larga. Trata-se de um grande negócio para os provedores que estão localizados onde as operadoras ainda não entraram.
A própria situação de ameaça da chegada da Telebrás, através das grandes operadoras, serviu para equalizar o mercado. Tivemos que nos profissionalizar. Apesar de ainda não utilizarmos a Telebrás e de não sermos obrigados a trabalhar com valores baixos, nós pequenos provedores, já fazemos isso: compramos no atacado, buscando parcerias com a indústria, e diminuímos custos e preços, principalmente em comunidades de baixa renda.
Nossa situação aqui no Sul é diferente de regiões economicamente mais frágeis. Em Maringá, por exemplo, temos a concorrência de todas as operadoras. Essa situação é boa, pois temos a oferta no atacado; e ruim, porque elas concorrem conosco no varejo.
Como frisamos, aqui temos a felicidade de contarmos com duas grandes associações que unem, defendem e trabalham pelos empresários, a Redetelesul (PR) e a Internetsul (RS).
*Marcelo Siena é presidente da Redetelesul e do Conselho Consultivo da Anatel.




