Pela primeira vez, operadoras de cabo admitem o fenômeno dos cable cutters

maio 22, 2012 by

O mercado norte-americano de TV por assinatura é o mais forte do mundo, e mais competitivo. Com as redes de TV a cabo chegando a mais de 93% dos domicílios, duas fortes operadoras via satélite e pelo menos duas competidoras de telecomunicações disputando o mercado de vídeo, qualquer movimento percebido nos EUA indica o que deve acontecer em outros países. E o maior evento de TV por assinatura dos EUA, a Cable 2012, organizado pela associação de operadores de cabo NCTA e que acontece esta semana em Boston, traz pelo menos uma grande mudança de tendência em relação aos anos anteriores: a admissão pública de que o fenômeno dos cable cutters está e deve continuar acontecendo. Cable cutters são pessoas que estão optando por não mais manter um pacote de TV paga e preferem buscar seus conteúdos diretamente na Internet. Estima-se que esse ano cerca de 200 mil a 1 milhão de domicílios, no total, deixem de ter TV por assinatura nos EUA. Até aqui, este fenômeno era tratado apenas como uma consequência da crise econômica ou da redução no número de domicílios.

É pouco se comparado com a massa de mais de 105 milhões de lares com TV paga nos EUA, o que significa uma penetração superior a 90% no total de domicílios, mas é um indicativo importante. Até 2016, as estimativas apontam para a perda líquida de mais de 1 milhão de domicílios com TV paga no modelo tradicional.

 

Michael Powell, presidente da NCTA e ex-presidente da FCC, foi o encarregado por oficializar o fenômeno em seu discurso de abertura. “Vivemos um período de inovação. As operadoras de TV a cabo lidam hoje com novos dispositivos, integrados com a Internet e com modelos de negócio diferentes. Há mais competição, cada vez mais intensa e saudável. As teles são agressivas, as operadoras de satélite seguem na briga tentando convencer as pessoas a se livrarem do cabo. E há espaço para serviços por Internet passarem a competir, complementando o modelo existente, e mesmo para que alguns assinantes desistam da TV a cabo tradicional”, disse ele. Não por acaso, as operadoras querem deixar de ser identificadas como empresas de TV a cabo para se identificarem como provedoras de conectividade. A ponto de a NCTA ter encomendado uma campanha publicitária com esse mote para ser exibida em Washington e em outras grandes cidades norte-americanas.

 

Outro ponto reforçado por Michael Powell é o papel que a indústria de banda larga (nos EUA, a maior parte dos acessos fixos de banda larga é entregue por empresas de cabo) foi fundamental para impulsionar a inovação das empresas de Internet. À infraestrutura de cabo, Powell atribuiu o sucesso de empresas como o Twitter, Amazon e Facebook. “Nada disso seria possível sem uma infraestrutura de banda larga”.

 

Mercado privado

 

Outra bandeira defendida pela NCTA no evento desse ano é a dos investimentos privados. Aparentemente desconfortáveis com ideias de que o Estado precisa investir em infraestrutura onde ela é deficiente, Powell fez questão de afirmar que os investimentos feitos pelo setor não contaram com recursos públicos e criticou defensores do “modelo europeu de regulação em que o governo controla de fato as redes de telecomunicações e força a competição com modelos subsidiados”. As operadoras de cabo nos EUA (e também as de telecomunicações, diga-se de passagem) estão em uma batalha pela garantia de que modelos que prevejam a livre negociação entre players vigorem nos EUA, em contrapartida a um modelo de neutralidade plena em que as redes de banda larga não podem sofrer restrições por parte das operadoras.

 

 

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